quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Um dia de otimismo...

Aquela tarde chegara ao fim novamente, da mesma maneira que outras tantas e havia dentro da gente uma sensação de conforto pela mesmice. As experiências de outrora, embora indolores no corpo, maltravam as nossas ambições e esperanças. Se o cotidiano estivesse repetitivo, mas tudo estava razoavelmente bem, era o que importava. Como diria minha avó... "Se estamos com saúde, é o que basta..."


Os velhos continuavam no seu progresso. Parece que se chega a uma idade que não se envelhece mais nas ideias, contudo, envelhece-se fisicamente, as rugas aparecem e então começamos a nos submeter ao cansaço que outrora não existia. É esse momento que eu chamaria de descolamento entre a alma e o corpo. Uma continuava a evoluir e a outra a declinar ao tempo que passava agora então, mais lentamente, talvez porque as noites de sono eram menores, talvez porque as responsabilidades diminuiram, as agendas deixaram de ficar lotadas, sei lá, simplesmente porque aqueles compromissos, trabalhos e reuniões ficaram no passado... Era hora de viver a vida e o que restava dela. Enfim, a paz se traduzia no acalanto das tardes repetidas indefinidamente. Havia tempo para sonhar, pensar, imaginar, cantar, compor e tantas outras coisas essenciais, meu Deus, que foram esquecidas ao longo da vivência...


Eu tive amigos que diziam que devíamos nascer velhos e morrer bebês e dessa forma, trabalhar no início de nossas vidas e aposentar-se quando criança... É, parece que o Homem desvirtuou o que era vida, transformou um pedaço dela em escravidão e uma outra em frustração.


Mas, não são os desígnios que são impostos, que nos permitem ser felizes. A nossa capacidade de criar a alegria transcende a vontade dos outros. Nós fazemos o nosso destino e Deus conspira a favor, afinal somos seus filhos. Ele só não daria um presente para nós se ele fosse perigoso, assim como eu faço para os meus filhos. Eles não ganham tudo que pedem, mas aquilo que posso oferecer e, principalmente, aquilo que acredito que mereçam receber. Então, se somos abençoados, todos os presentes nos levam à salvação, até mesmo as coisas erradas que acontecem em nossas vidas.


Um dia acreditei que muitos presidentes poderiam resolver o problema de todos nós e o Brasil se tornaria um país tão bom quanto a Suiça, mas isso nunca aconteceu... Ao contrário, sempre nos surpreendemos com situações desagradáveis que fizeram com que perdessemos as poucas conquistas que havíamos herdados. As coisas só pioravam... É por isso que quando vem o entardecer, eu agradeço quando nenhuma decisão polêmica ou de ruptura acontece. E então, descanso feliz, pois ao menos o dia de hoje foi igual ao de ontem. Deixei de sonhar com um amanhã melhor que hoje. Prefiro que as melhorias sejam lentas e pouco perceptíveis. Sem apropriação de bens, sem congelamentos, sem arbitrariedades.