quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

A fidelidade, a lealdade e a liberdade...

Na fidelidade alguém te segue, obediente às regras que tu estabeleceres... Sujeita-se a tornar-se escravo de tuas determinações. Tu te tornas dono de uma parte de alguém e manda sem ao menos ser parte dela.
Na lealdade alguém te seguirá sem regras impostas. E te aceita apenas porque encontrou em ti as virtudes que admira e respeita. E irá te deixar se não mais encontrá-las. Na lealdade quem te segue é livre para escolher o seu próprio caminho e fazer o seu destino. Nela, ninguém é dono de ninguém.
O casamento não torna dois seres uma só carne e um só espírito. Por mais que se comprometam, ainda continuarão a ser duas pessoas, cada um com seus próprios pensamentos, cada um vivendo sua própria vida, mesmo que compartilhada ao extremo.
E por ser muitos casamentos calcados nessa sujeição ao outro, são os que mais se apresentam como uma prisão, uma aparente restrição de liberdade, quando deveria ser o contrário.
Em muitos casos, a fidelidade pode dar essa sensação de cárcere, mas é importante ressaltar que ela não está atrelada à fidelidade ou à lealdade. A liberdade se encontra dentro de cada um, na forma como cada indivíduo aceita as suas restrições ou limitações e como se posiciona diante de suas opções. Ser livre é ter o poder de fazer escolhas. Ao optar de coração pela fidelidade, esta pessoa estará exercitando a sua vocação para a liberdade...
Mesmo assim, é sempre perigoso falar de nossas escolhas enquanto se é jovem, porque quando ainda somos inexperientes, somos facilmente iludidos e manipulados pelo idealismo que o mundo prega. Somente o tempo será capaz de dizer se erraremos ou acertaremos em muitas de nossas decisões.
Certas coisas não se aprendem academicamente. Só então, nosso julgamento nos dará conta, se um dia fomos efetivamente livres ou não. E quando esse dia chegar, importará muito pouco se erramos. O que realmente importará será o quanto fomos felizes ao viver as decisões que tomamos de bom grado...

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Entre a legalidade e a moralidade...

Outro dia, em uma longa fila no teatro, eu tentava adquirir ingressos para o espetáculo da Zizi Possi. Eis que uma moça bonita, bem vestida e em plena saúde passou à frente de todos, como que "furando fila". Ao passar de volta e ser questionada, ela disse estar grávida.
Não é necessário um exame laboratorial para comprovar a gravidez, ainda que ela não apresentasse a mínima barriga e mesmo que esse país ainda utilize muito a lei de Gerson.

Outro dia, em um transporte coletivo, um portador de necessidades especiais não foi autorizado a utilizar o ônibus gratuitamente, porque não tinha um tal de "passe livre"... Apesar de visivelmente perceber que ele tinha  uma deficiência física, o motorista disse que sem o tal passe livre, o portador de necessidades especiais não poderia  usufruir do seu direito.

Eu ainda não aprendi a perceber a diferença entre situações que acho tão iguais...