segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Barreiras em nossas vidas

Esses dias conversava com um amigo que me dizia que não poderia tentar determinados concursos públicos, porque havia exigências demais, conhecimentos inumeráveis e poucas chances...
Foi quase um "déjà vu", mas na verdade, lembrava-me de haver proferido as mesmas palavras há aproximadamente trinta anos, quase em tom de profecia. É claro, que a previsão ainda não se cumpriu e enquanto eu tiver forças para lutar ela jamais se realizará.
Apesar de toda a modernidade, as pessoas não mudaram muito sua maneira de pensar. Apesar de parecer que as dificuldades só aumentam, elas só mudam de contexto. Velhos problemas se resolverão; novos, surgirão.
Tenho certeza que eu mudei. Demorei, com certeza. E se pudesse voltar no tempo, decidiria muito mais rápido... Porém, passados são imutáveis e não preciso perder meu tempo com exercícios de "se...".
A hora é de agir, avaliar o plano e corrigir rumos. A vida ensina que devemos economizar tempo e absorver mais rapidamente os arrependimentos. Afinal, arrependimento é um objeto pesado que devemos contemplar por alguns instantes e então, guardar uma foto mental na sacola da maturidade, a fim de não cometer mais o mesmo erro.
Em um torneio de xadrez, cada segundo de lamento é descontado do nosso relógio. Aprendi que pensar durante o tempo do adversário economiza o nosso tempo. São segundos valiosos, afinal tempo também decide a partida.
Mas aqueles segundos em que ouvia as declarações do meu amigo mostraram-me algo ainda mais importante: o quanto eu havia aprendido...
Primeiro, a vida ensinou-me a não desistir dos meus sonhos. Sonhe, mas planeje. É preciso saber onde você está, para onde deve ir e como chegar até lá. O caminho não é fácil, é exaustivo e não é para qualquer um.
Em segundo, descobri que nada é fácil e ninguém nasce campeão. Treinar é primordial. Que "não existe almoço grátis". Ou seja, o mais importante é "não desistir jamais". Treine, se prepare e persiga seus objetivos.
E por fim, o principal motivo desta reflexão é sobre a declaração daquele jovem, declaração igualmente minha. Eu vejo que a gente subestima o valor que tem, ignora as potencialidades que estão adormecidas. Não plantamos a semente por simples falta de fé, não nos preocupamos em desenvolver nossos dons, não dedicamos tempo suficiente ao nosso aprimoramento. "O tempo só respeita aquilo que é feito com ele". E nesse aperfeiçoamento precisamos aprender a dominar o medo que nos aterroriza.
Somos medrosos por natureza, por isso, sobrevivemos. Porém, tudo que nós somos, tudo que nos pertence, precisa ser nosso amigo, harmonizados e em equilíbrio para estar a nosso favor. Quando controlamos nosso medo desenvolvemos uma competência que se chama coragem.
Não controlar o medo ergue barreiras ao nosso redor. E barreiras são formas irracionais que a nossa mente encontra para se defender dos insucessos e, por consequência, também bloqueiam as nossas oportunidades de sucesso. "Os navios estão mais seguro no porto, mas não foram feitos para isso."
A vida naturalmente coloca obstáculos, por isso é preciso ser lúcido para não colocarmos outras sem necessidade. Quando lembro da minha declaração, apenas criava dificuldades que ainda não existiam e já me julgava derrotado.
A analogia que faço é a partida de futebol entre um grande time e um outro praticamente sem chances de ganhar. Nesse caso, eu digo que vale a pena jogar. Se depois de começar o resultado não estiver favorável, ainda assim, temos a certeza de que só se perde quando o jogo termina. Só se tem a confirmação da derrota entrando em campo e terminando a partida. Antes disso, independente das condições de cada time, tudo não passará de simples especulação. Ganhar também depende do primeiro e segundo aprendizados acima. Como diz Bernardinho, mais importante que o dia da luta são todos os dias que o antecedem. É tudo aquilo que fizemos.