Gostaria de ter muito mais tempo para os meus amigos, contudo, o meu tempo se assemelha a um orçamento de governo, que tomado pela totalidade parece gigantesco, e no entanto, possui pequena margem de manobra. Grande parte dos gastos são para manter o que já existe e muito pouco resta para investir.
Pois bem, dessa forma, o meu tempo se assemelha ao orçamento, em seu tamanho, problemas e a dificuldade de administrá-lo. Já pensei em cortar o sono, já pensei em deixar de me locomover, de comer, mas a verdade é que quando me dou conta estou desperdiçando um pouco de tempo em frente a um computador, que diferentemente da televisão não me estimula com alguma programação planejada, com inserções de algum produto ou serviço que posso comprar. Ao contrário, computador, ou mais diretamente, a internet, é um mundo complexo, que de repente pode aparentemente estimular amigos a dialogarem, com até uma boa interação, que não substitui a presença. Pode mantê-lo atualizado e ao mesmo tempo, pode transformá-lo num completo desinformado. É claro, que isso não é culpa da censura, ou melhor, da falta dela. O problema tem origem na ausência de uma educação crítica sobre o mundo, não necessariamente de internet, mas de mundo mesmo, aquilo que é realidade e não o que denominamos "virtual". É, mal comparando, semelhante a uma criança que não sabe que uma bicicleta pode machucar, que um acidente de carro pode matar, afinal, nos joguinhos de computador temos infinitas vidas para aprender o caminho da vitória, para exercitar nossas habilidades. A vida está cada vez mais anestesiada pela virtualidade, de dinheiro, de conversas, de sentimentos. Estamos mais "próximos" e ao mesmo tempo mais "distantes". Mas é um "próximo" ao alcance dos dedos em um teclado, de olhos estáticos em uma tela, mas distantes fisicamente. E se fosse apenas isso, seriam como cartas recebidas de alguém querido, mas não! Eu diria humanamente distantes.
Qual a consequência de seus atos virtuais? Quem se importa? Importa para quem sofreu o dano, a quem foi prejudicado, a quem foi injustiçado, a quem foi incompreendido. O mundo virtual passou a ser uma terra sem lei.
Quando eu era criança, ouvia de meus pais: "não saia na rua!"; "não vá para aquele lugar!". O mundo se resumia a ruas cujos perigos seriam os carros, algum desconhecido em uma grande cidade, a alguma área de floresta com seus animais selvagens. Mas eram perigos reais.
Mas apesar de todos os perigos, de todas as dificuldades, da ausência de facilidades do meu dia a dia atual, como por exemplo, um simples controle remoto. Aliás que controle remoto deixou de ser coisa simples para se tornar algo parecido com orçamento. Tenho muitos controles: da TV, do DVD, da assinatura de TV, do som, do ar condicionado, fora os complexos smartphones e tablets, entre os quais alguns são impossíveis de operar sem um curso... Mas tem curso de "montão" no youtube, mas não tenho tempo...
Na verdade, do meu escasso tempo, não posso me dar ao desfrute de aprender a operar todos os recursos disponíveis, que para a geração que me sucede são conhecidos como intuitivos. A outra é imaginar se algum dia terei tempo para, como já falei, aprender, depois ver e por fim, utilizar. Já me disseram por exemplo que posso programar números de discagem rápida no meu celular para uma emergência. Mas eu sou de uma época em que meus amigos não podiam entrar em contato comigo, pois eu não tinha nem um telefone fixo, não existiam tantas ambulâncias, hospitais. Então, ter um celular, mesmo sem a programação de emergência já terá sido um avanço inestimável para a vida deste cidadão comum.
Na verdade, do meu escasso tempo, não posso me dar ao desfrute de aprender a operar todos os recursos disponíveis, que para a geração que me sucede são conhecidos como intuitivos. A outra é imaginar se algum dia terei tempo para, como já falei, aprender, depois ver e por fim, utilizar. Já me disseram por exemplo que posso programar números de discagem rápida no meu celular para uma emergência. Mas eu sou de uma época em que meus amigos não podiam entrar em contato comigo, pois eu não tinha nem um telefone fixo, não existiam tantas ambulâncias, hospitais. Então, ter um celular, mesmo sem a programação de emergência já terá sido um avanço inestimável para a vida deste cidadão comum.
Hoje todos podem saber onde estou e eu posso saber onde eles estão, mas estamos todos ocupados em algo que aparentemente gostamos. O meu tempo é para eles, mas não posso encontrá-los, não tenho esse tempo para eles, nem para ninguém. As facilidades do mundo facilitam o meu trabalho e muitas coisas que eu gosto, porém dificultam o encontro das pessoas. Prova disso foi um almoço entre amigos, todos sem palavras, apenas teclando em seus smartphones...