sexta-feira, 29 de maio de 2015

A maturidade - II

De tantas coisas boas que aconteceram, de tantos bons momentos que vivi, de todos os incomparáveis encontros que tive, de todas as visitas, viagens que fiz, foram tantos bombardeios de conhecimento, tanta informação, tanta memória...
No entanto, nem tudo a minha filmadora capturou, meu gravador nem liguei. Quase nada a minha câmera fotografou. A minha memória não guardou quase nada. E outros tantos infindáveis minutos ainda irei esquecer.

Mas alguma coisa sempre fica. E na verdade, nem sei com quais mecanismos nosso pensamento funciona, como escolhe o que fica ou porque fica...
Eu tenho boas lembranças e a maturidade deve ser próxima disso: é a capacidade de direcionar as sobras para tudo que valeu a pena ser vivido.
A maturidade nos retira do infeliz caminho da busca da felicidade e nos torna capaz de entender o valor dos bons momentos.
Mais que isso, torna o ser humano capaz de ser produtivo e seletivo...

Produtivo, porque começa a entender que os bons momentos podem ser captados ao acaso, contudo é preciso estar com a nossa câmera sempre pronta, com bateria carregada, com espaço de memória suficiente e, é claro, preparada para fotografar rapidamente tudo que queremos. E ser produtivo é fazer justamente isso, "fazer pose". Criar situações, comemorar aniversários, confraternizar, assistir a espetáculos, fazer festividades à toa, viajar... É procurar o lado belo e positivo de tudo... Fotografe-os...

Seletivo, porque não devemos fotografar nada que seja negativo, que seja feio, que seja indesejável. Guarde apenas o fato e o aprendizado. Depois disso, é necessário esquecê-los, evitá-los... Não pagar mais que o seu real valor. E por fim, compreender que nem todos os dias serão de sol, compreender e respeitar o espaço da tempestade e paciência para esperá-la passar. Entender que nada nesta vida é duradouro. E as coisas boas, enquanto durar, abrace, beije e viva intensamente...

Maturidade é a capacidade de fazer-se feliz.