quinta-feira, 30 de julho de 2015

O meu tempo para as pessoas e coisas que gosto

Gostaria de ter muito mais tempo para os meus amigos, contudo, o meu tempo se assemelha a um orçamento de governo, que tomado pela totalidade parece gigantesco, e no entanto, possui pequena margem de manobra. Grande parte dos gastos são para manter o que já existe e muito pouco resta para investir.
Pois bem, dessa forma, o meu tempo se assemelha ao orçamento, em seu tamanho, problemas e a dificuldade de administrá-lo. Já pensei em cortar o sono, já pensei em deixar de me locomover, de comer, mas a verdade é que quando me dou conta estou desperdiçando um pouco de tempo em frente a um computador, que diferentemente da televisão não me estimula com alguma programação planejada, com inserções de algum produto ou serviço que posso comprar. Ao contrário, computador, ou mais diretamente, a internet, é um mundo complexo, que de repente pode aparentemente estimular amigos a dialogarem, com até uma boa interação, que não substitui a presença. Pode mantê-lo atualizado e ao mesmo tempo, pode transformá-lo num completo desinformado. É claro, que isso não é culpa da censura, ou melhor, da falta dela. O problema tem origem na ausência de uma educação crítica sobre o mundo, não necessariamente de internet, mas de mundo mesmo, aquilo que é realidade e não o que denominamos "virtual". É, mal comparando, semelhante a uma criança que não sabe que uma bicicleta pode machucar, que um acidente de carro pode matar, afinal, nos joguinhos de computador temos infinitas vidas para aprender o caminho da vitória, para exercitar nossas habilidades. A vida está cada vez mais anestesiada pela virtualidade, de dinheiro, de conversas, de sentimentos. Estamos mais "próximos" e ao mesmo tempo mais "distantes". Mas é um "próximo" ao alcance dos dedos em um teclado, de olhos estáticos em uma tela, mas distantes fisicamente. E se fosse apenas isso, seriam como cartas recebidas de alguém querido, mas não! Eu diria humanamente distantes. 
Qual a consequência de seus atos virtuais? Quem se importa? Importa para quem sofreu o dano, a quem foi prejudicado, a quem foi injustiçado, a quem foi incompreendido. O mundo virtual passou a ser uma terra sem lei. 
Quando eu era criança, ouvia de meus pais: "não saia na rua!"; "não vá para aquele lugar!". O mundo se resumia a ruas cujos perigos seriam os carros, algum desconhecido em uma grande cidade, a alguma área de floresta com seus animais selvagens. Mas eram perigos reais.
Mas apesar de todos os perigos, de todas as dificuldades, da ausência de facilidades do meu dia a dia atual, como por exemplo, um simples controle remoto. Aliás que controle remoto deixou de ser coisa simples para se tornar algo parecido com orçamento. Tenho muitos controles: da TV, do DVD, da assinatura de TV, do som, do ar condicionado, fora os complexos smartphones e tablets, entre os quais alguns são impossíveis de operar sem um curso... Mas tem curso de "montão" no youtube, mas não tenho tempo...
Na verdade, do meu escasso tempo, não posso me dar ao desfrute de aprender a operar todos os recursos disponíveis, que para a geração que me sucede são conhecidos como intuitivos. A outra é imaginar se algum dia terei tempo para, como já falei, aprender, depois ver e por fim, utilizar. Já me disseram por exemplo que posso programar números de discagem rápida no meu celular para uma emergência. Mas eu sou de uma época em que meus amigos não podiam entrar em contato comigo, pois eu não tinha nem um telefone fixo, não existiam tantas ambulâncias, hospitais. Então, ter um celular, mesmo sem a programação de emergência já terá sido um avanço inestimável para a vida deste cidadão comum.
Hoje todos podem saber onde estou e eu posso saber onde eles estão, mas estamos todos ocupados em algo que aparentemente gostamos. O meu tempo é para eles, mas não posso encontrá-los, não tenho esse tempo para eles, nem para ninguém. As facilidades do mundo facilitam o meu trabalho e muitas coisas que eu gosto, porém dificultam o encontro das pessoas. Prova disso foi um almoço entre amigos, todos sem palavras, apenas teclando em seus smartphones...

Apostar na vida...

Ao falarmos sobre megassena, eu costumo dizer que três reais e cinquenta centavos não nos deixam mais pobres, mas podem tornar-nos muito mais ricos.
É a fé; a capacidade de acreditar que coisas boas vão acontecer. Um vento que nos movimenta, ainda que nada aconteça.
Na verdade, o mais importante não é consequência. Mais valiosa é a motivação de fazer acontecer. Não deixar que o acaso ofereça suas próprias escolhas para nós.
A proposta de jogar três reais e cinquenta centavos é experimentar um novo sabor. Sair da sua zona de conforto. Sentir algo que não existe na desesperança. Enxergar algo que está além de nossa espreguiçadeira. Arrancar raízes e redescobrir que somos capazes de caminhar até nossos destinos e assim, dar outro sentido a essa palavra: destino, não é sina, é aquilo pelo qual fomos lutar...
Ao contrário de ficar parado, de deixar tudo como está, o convite é para tomar as rédeas e melhorar o mundo à nossa volta. É muito mais gratificante. É a melhor coisa a se fazer, sempre.
Quando me refiro a "gratificante", não é fazer esperando uma recompensa. Gratificante, nesse caso, é entender que existe um prêmio imediato e instantâneo, inesperado e puro, do criador diante de sua obra, diante do quadro que acabou de pintar. É crer na indescritível sensação positiva de cumprir um objetivo, estabelecer um novo recorde, de vencer uma meta, chegar ao topo da nossa escalada. É alimentar o espírito com conquistas, não necessariamente vitórias. É como um atleta, corredor de maratona, que viveu todos os preparativos, todos os dias, que no dia sensibilizou-se com todo o acontecimento, que pode não vencer, mas sente-se satisfeito em participar, em concluir.
Quando quiser mudar o mundo, aposte seus "três reais e cinquenta centavos" naquilo que acredita. Essa é a analogia que faço entre jogar na loteria e fazer as mudanças que o mundo precisa. Plante a semente, dê um abraço, ensine, faça sorrir, construa pontes.
A chance de acertar é uma dentre algumas centenas de apostas que faremos a vida toda.
Quando você não faz nada, dá continuidade ao que já existe. Só perde na loteria, quem apostou.
Da mesma forma, só ganha, também quem apostou. Quando você faz alguma coisa... Corre-se o risco de acertar. Sem medo de errar, afinal só erra quem tenta.
Todo o resto é um delírio das coisas que não existem e não vão existir. Coisa que existem no mundo do "se"... Se tivesse feito, se tivesse lutado, se tivesse estudado, se tivesse dito, se...
Mas vale perceber que, diferentemente da loteria, as coisas boas pelas quais lutamos nesta vida, dão uma grata satisfação, sem medida, sem preço, o que torna irrelevante se mais à frente iremos ganhar ou perder. Ajudar alguém, fazer parte de um tijolo transformador da qualidade da vida humana, já nos torna um ganhador entre milhões que não irão fazer nada. São pessoas presas em sua simples incapacidade de amar qualquer outra pessoa a não ser a si mesma.
Ao contrário, nosso ganho, que já é único em milhões de seres humanos na face deste imenso planeta, fará com que a nossa vida seja um pouco melhor.
Como veremos em diversos filmes e temáticas: "a viagem terá sido mais importante que o destino". Não importa o prêmio que tentamos alcançar, mas os "três reais e cinquenta centavos" que apostamos, os quais, com certeza, nos deixou muito mais ricos.