quarta-feira, 13 de novembro de 2024

O Tempo - I - As Escolhas

O tempo nos bombardeia constantemente com fatos, alguns até repetitivos, porém falta-lhes a previsibilidade das nossas escolhas.

Então, cada segundo é semente do instante seguinte de nossas escolhas.

Semear e escolher tornam-se sinônimos, que produzem destinos distintos e assim reformulamos o futuro inconstante.

E da mesma forma que nos oferece possibilidades, o tempo não nos dá escolhas. É preciso aceitar tudo aquilo que é irreversível, toda a reação química, resultante da alquimia que semeamos no passado.

É uma intrincado trabalho de ilusionismo, na qual o tempo guarda memórias para justificar o presente, que é a única coisa que realmente existe.

O tempo que corre da minha infância em direção à minha velhice nada mais é do que aquilo que hoje colho, preenchido de passado e visionário de um futuro que não aconteceu, mas que pode mudar, ainda que eu plante as sementes certas.

Tenho nas mãos apenas o incerto e, certamente, o fato de que tudo está mergulhado na inexorável entropia.

De todas as incertas colheitas que poderei fazer, resta-me a escolha de semear ou não o que preciso. Se vou colher alguma coisa, deixo para o tempo dizer.

Ao questionar o tempo sobre os frutos das minhas escolhas. Ele me respondeu que "qualquer que seja a resposta, é meu dever, não há outra escolha senão prosseguir com o plantio. Tanto faz saber os resultados. Se sua vida vai acabar em morte, não deve ser vivida? Vai e faz a sua parte, que eu faço a minha..."