quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Nossa sabedoria

 

"Tudo aquilo que o Homem ignora não existe para ele.

Por isso o universo de cada um se resume ao tamanho de seu saber." (Albert Einstein)


Einstein resume bem a extensão do nosso conhecimento perante o Universo.
De certa forma, tudo aquilo que o Homem não aceita, também deixa de existir para ele.

E eu quando criança tinha certeza de que a Lua existia, mas não tinha certeza sobre a China, ainda que me trouxessem fotos e filmes, ou dados históricos. Porque eu não havia vislumbrado.

E pior ficava em relação à História. O passado que não vivi se juntava ao futuro que igualmente não vivi. Então, era como se nada houvesse existido, nem antes, assim como o futuro não existe até que ele chegue depois. E à medida que o futuro transita por nós, ele se concretiza como havíamos imaginado, mas em outras sempre se apresentará imprevisível e incerto.

O certo é que dentro de nós reside uma fé, um voto de confiança, uma crença de que tudo isso seja verdade. E tudo isso, só encontra acalanto, na medida em que a Filosofia e a Ciência fazem parte da nossa essência. Nelas residem a nossa capacidade de enxergar muito além do espaço e do tempo. Visionar o futuro e mergulhar no outro Ser Humano. E chegar mais longe ainda, conseguir enxergar dentro de nós mesmos.

Se o Homem ignora o que existe dentro dele, em que se resume o seu universo?

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

O Perdão Mais Importante...

O perdão mais importante não é o do outro.

O perdão mais importante é o nosso.

A nossa remissão é de dois tipos e ambos são essenciais. Um tipo é aquele em que perdoamos a outra pessoa. O outro tipo é aquele em que nós nos absolvemos.

Talvez perdoar o outro seja o de melhor efeito, pois faz bem a nós mesmos e pode ser que faça bem ao outro também.

Quando nos referimos ao outro, pode ser aquela pessoa que deseja perdão ou que dele precisa. Mas pode ser também, aquele que acha que não precisa, aquele que não quer ser perdoado, ou ainda, aquelas criaturas que ignoram essa necessidade - soa estranho, mas conheço indivíduos assim: desconhecem o mal que praticaram.

O outro, pode ser aquele ser humano que falhou por uma série de motivos e se arrependeu, ou ainda errou tentando acertar. Pode também ser aquele que deseja o pior, pratica o mal, que é cruel e tem consciência das malevolências. E tem aquele que está fora de si, pode estar louco, senil; pode ser inconsequente, imaturo, inexperiente, precipitado em tantas ações que praticou, sem se dar conta dos danos que possa ter causado e, apesar de tudo, inocentes.

Falamos muito dos outros, mas agora precisamos falar de nós. E dizer porque o nosso perdão é o mais importante. Eu diria que em muitos casos, ele é essencial... É vital para que possamos prosseguir no nosso propósito de vida, para que não fiquemos ancorados no passado, para que possamos progredir e ser pessoas melhores. Para que conquistemos o nosso tão sonhado e desejado futuro.

Com os olhos no retrovisor, se contempla um lugar irreversível, repleto de desacertos imutáveis. O perdão retira o espelho e coloca nosso foco a frente. Nos faz caminhar novamente, permite planejar, arquitetar escolhas, obter insumos e passar de leitor, para escritor da nossa história.

Só quem sofre a dor de uma injustiça, de uma maldade, sabe que perdoar nos ensina a não fazer o mesmo com as pessoas que cruzarem o nosso caminho. Porque teremos a exata noção do sofrimento que isso causa.

Algumas atrocidades ou deslizes cometidos não possuem conserto, são braços ou pernas perdidos em uma batalha, não há nada que os traga de volta. Pode-se minimizar ou contornar o problema, mas não voltará a ser como antes. Arrependimentos não corrigem o passado, mas a misericórdia pode reparar o futuro. O perdão é uma ferramenta que se usa no presente, para o futuro. Parece controverso, mas jamais servirá para o passado.

É a oportunidade de recomeçar, é uma nova vida, uma nova chance, um renascimento. Não significa propiciar o mesmo equívoco. O indulto é o poder de aprender com os erros do passado, ainda que eles tenham sido devastadores e levar para frente somente aquilo que pesa pouco e esquecer-se daquilo que paralisa, que nos cansa e enfraquece.

Ao contrário, leve somente os músculos que desenvolveu nesse trabalho árduo e o tornou mais forte para enfrentar as dificuldades que ainda estão por vir. Leve na bagagem a capacidade de lidar com os problemas, com as pessoas e com as vicissitudes.

Por essa série de razões, é preciso exercitar o "perdoar o outro", ainda que o outro não precise saber  disso. Mas diga que perdoa, se por acaso ele pedir.

Por essa série de razões, é preciso exercitar o perdão de si mesmo. Porque somos a pessoa mais importante nesse processo. Nós iremos lutar, tentaremos acertar, e porque somos humanos, poderemos ainda falhar muitas vezes e nem tudo terá conserto. Porém, nós temos a capacidade de "renascer das cinzas".

Remoer os sentimentos ruins não contribuem para a caminhada. Essa atitude antiquada, está cheia de mágoas, incompreensões e defeitos. Aprenda alguma coisa com o que não deu certo, mas não se atormente com o desacerto. Assim você será uma pessoa melhor e consequentemente o seu futuro será superior.

"Não aprender nada significa que a próxima vida terá as mesmas dificuldades e pesos de chumbo a vencer"

Perdoar é saber como aplicar o seu aprendizado na parada seguinte, no próximo verão, na iminente missão, com seus novos amigos e dormir em paz. Que tudo se concentre na edificação de um mundo mais justo.

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Comportamento XIII - Lentes

Um professor cubano certa vez me ensinou a respeito de modelagem de dados (coisas de Tecnologia da Informação). Em um dado momento falou sobre abstração e explicou que as pessoas utilizam lentes para visualizar a realidade.
Fazendo uma analogia com o nosso cotidiano, desde então, eu imaginava que nem todas as pessoas possuíam lentes e os que tinham, talvez não soubessem fazer bom uso delas. Cada um faria uso das lentes que tinha para tentar enxergar a realidade da melhor maneira possível.
No entanto, depois de tanto tempo, descobri que o uso das lentes pelas pessoas, ainda que existam alguns que não possuam lentes ou os que utilizam as que têm, há aqueles que têm muito, que contudo usam as lentes que querem, as que forem mais convenientes.
Assim como usam as palavras, usam as lentes, as pessoas, a realidade...

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Comportamento - IX - O devido tamanho dos problemas...

A arte de enfrentar problemas começa por se perguntar: qual é o problema?
E ao sabê-lo, dimensionar seu exato tamanho.
Grandes problemas, nem sempre exigem grandes soluções.
No entanto, exigem um controle da nossa preocupação e do nosso medo.
Tudo bem dosado...
Porque a preocupação retira a capacidade de planejar. Leva-nos a perder o foco, de esquecer o objetivo principal.
E o medo nos bloqueia, nos paralisa e limita a capacidade de executar os movimentos perfeitos.
Devemos transformar o medo naquilo que nos permitirá sobreviver a mais uma etapa.
O medo não é o contrário de coragem.

Comportamento - VIII - Ser um campeão e a meritocracia...

A meta pode ser tornar-se campeão. Mas a cada torneio há somente um campeão.
"Tá, tudo bem! Podemos ter dois ou mais... Mas algumas vezes apenas..."
Em cada torneio vemos um vencedor, mas nem nos importamos tanto com os outros... Todos os outros que saíram derrotados.
Por mais torneios que possamos criar, não haverá possibilidade de fazer de todos os participantes um vencedor. É um sofisma dizer que "o importante é competir..."
A quem isso interessa?
A meritocracia se assemelha a uma pirâmide: um campeão se forma à custa de inúmeros perdedores. Na qual muitos entram na pista de largada com alguma vantagem sobre os outros, tal qual uma largada de Fórmula 1, ou quase, pois o posicionamento nessa competição é dada pelo mérito do melhor tempo, enquanto que na corrida da vida, essas vantagens fazem parte dos indivíduos ainda que não tenham feito nada para merecê-las.