segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Em busca da imortalidade...

Lembrei-me de uma música de Tom Jobim... que genialidade! Inesquecível...
Seu acervo se reverte na edificação da imortalidade...
Contudo, nessa boa lembrança, não houve uma nova composição, uma nova obra-prima... 
É porque a quase eternidade é construída em vida... um curto espaço de tempo para nossas obras...
Holisticamente importam o impacto e a visibilidade. 
De modo pessoal, vale a relevância, porque imprescindíveis são as lutas no anonimato, aqueles que colocam “tijolos na construção”. 
Melhor seria se nos tornássemos imortais ainda em vida...
Ainda tenho no diário de bordo algumas páginas em branco para escrever...
"Seguros estamos no porto, porém feitos para navegar", para “construir nossa reputação diante das tempestades e tormentas".
Por isso não posso acreditar em destino, nem aceitá-lo.
"Coisas boas estão por acontecer... basta lutar um pouquinho por elas."

quinta-feira, 30 de julho de 2015

O meu tempo para as pessoas e coisas que gosto

Gostaria de ter muito mais tempo para os meus amigos, contudo, o meu tempo se assemelha a um orçamento de governo, que tomado pela totalidade parece gigantesco, e no entanto, possui pequena margem de manobra. Grande parte dos gastos são para manter o que já existe e muito pouco resta para investir.
Pois bem, dessa forma, o meu tempo se assemelha ao orçamento, em seu tamanho, problemas e a dificuldade de administrá-lo. Já pensei em cortar o sono, já pensei em deixar de me locomover, de comer, mas a verdade é que quando me dou conta estou desperdiçando um pouco de tempo em frente a um computador, que diferentemente da televisão não me estimula com alguma programação planejada, com inserções de algum produto ou serviço que posso comprar. Ao contrário, computador, ou mais diretamente, a internet, é um mundo complexo, que de repente pode aparentemente estimular amigos a dialogarem, com até uma boa interação, que não substitui a presença. Pode mantê-lo atualizado e ao mesmo tempo, pode transformá-lo num completo desinformado. É claro, que isso não é culpa da censura, ou melhor, da falta dela. O problema tem origem na ausência de uma educação crítica sobre o mundo, não necessariamente de internet, mas de mundo mesmo, aquilo que é realidade e não o que denominamos "virtual". É, mal comparando, semelhante a uma criança que não sabe que uma bicicleta pode machucar, que um acidente de carro pode matar, afinal, nos joguinhos de computador temos infinitas vidas para aprender o caminho da vitória, para exercitar nossas habilidades. A vida está cada vez mais anestesiada pela virtualidade, de dinheiro, de conversas, de sentimentos. Estamos mais "próximos" e ao mesmo tempo mais "distantes". Mas é um "próximo" ao alcance dos dedos em um teclado, de olhos estáticos em uma tela, mas distantes fisicamente. E se fosse apenas isso, seriam como cartas recebidas de alguém querido, mas não! Eu diria humanamente distantes. 
Qual a consequência de seus atos virtuais? Quem se importa? Importa para quem sofreu o dano, a quem foi prejudicado, a quem foi injustiçado, a quem foi incompreendido. O mundo virtual passou a ser uma terra sem lei. 
Quando eu era criança, ouvia de meus pais: "não saia na rua!"; "não vá para aquele lugar!". O mundo se resumia a ruas cujos perigos seriam os carros, algum desconhecido em uma grande cidade, a alguma área de floresta com seus animais selvagens. Mas eram perigos reais.
Mas apesar de todos os perigos, de todas as dificuldades, da ausência de facilidades do meu dia a dia atual, como por exemplo, um simples controle remoto. Aliás que controle remoto deixou de ser coisa simples para se tornar algo parecido com orçamento. Tenho muitos controles: da TV, do DVD, da assinatura de TV, do som, do ar condicionado, fora os complexos smartphones e tablets, entre os quais alguns são impossíveis de operar sem um curso... Mas tem curso de "montão" no youtube, mas não tenho tempo...
Na verdade, do meu escasso tempo, não posso me dar ao desfrute de aprender a operar todos os recursos disponíveis, que para a geração que me sucede são conhecidos como intuitivos. A outra é imaginar se algum dia terei tempo para, como já falei, aprender, depois ver e por fim, utilizar. Já me disseram por exemplo que posso programar números de discagem rápida no meu celular para uma emergência. Mas eu sou de uma época em que meus amigos não podiam entrar em contato comigo, pois eu não tinha nem um telefone fixo, não existiam tantas ambulâncias, hospitais. Então, ter um celular, mesmo sem a programação de emergência já terá sido um avanço inestimável para a vida deste cidadão comum.
Hoje todos podem saber onde estou e eu posso saber onde eles estão, mas estamos todos ocupados em algo que aparentemente gostamos. O meu tempo é para eles, mas não posso encontrá-los, não tenho esse tempo para eles, nem para ninguém. As facilidades do mundo facilitam o meu trabalho e muitas coisas que eu gosto, porém dificultam o encontro das pessoas. Prova disso foi um almoço entre amigos, todos sem palavras, apenas teclando em seus smartphones...

Apostar na vida...

Ao falarmos sobre megassena, eu costumo dizer que três reais e cinquenta centavos não nos deixam mais pobres, mas podem tornar-nos muito mais ricos.
É a fé; a capacidade de acreditar que coisas boas vão acontecer. Um vento que nos movimenta, ainda que nada aconteça.
Na verdade, o mais importante não é consequência. Mais valiosa é a motivação de fazer acontecer. Não deixar que o acaso ofereça suas próprias escolhas para nós.
A proposta de jogar três reais e cinquenta centavos é experimentar um novo sabor. Sair da sua zona de conforto. Sentir algo que não existe na desesperança. Enxergar algo que está além de nossa espreguiçadeira. Arrancar raízes e redescobrir que somos capazes de caminhar até nossos destinos e assim, dar outro sentido a essa palavra: destino, não é sina, é aquilo pelo qual fomos lutar...
Ao contrário de ficar parado, de deixar tudo como está, o convite é para tomar as rédeas e melhorar o mundo à nossa volta. É muito mais gratificante. É a melhor coisa a se fazer, sempre.
Quando me refiro a "gratificante", não é fazer esperando uma recompensa. Gratificante, nesse caso, é entender que existe um prêmio imediato e instantâneo, inesperado e puro, do criador diante de sua obra, diante do quadro que acabou de pintar. É crer na indescritível sensação positiva de cumprir um objetivo, estabelecer um novo recorde, de vencer uma meta, chegar ao topo da nossa escalada. É alimentar o espírito com conquistas, não necessariamente vitórias. É como um atleta, corredor de maratona, que viveu todos os preparativos, todos os dias, que no dia sensibilizou-se com todo o acontecimento, que pode não vencer, mas sente-se satisfeito em participar, em concluir.
Quando quiser mudar o mundo, aposte seus "três reais e cinquenta centavos" naquilo que acredita. Essa é a analogia que faço entre jogar na loteria e fazer as mudanças que o mundo precisa. Plante a semente, dê um abraço, ensine, faça sorrir, construa pontes.
A chance de acertar é uma dentre algumas centenas de apostas que faremos a vida toda.
Quando você não faz nada, dá continuidade ao que já existe. Só perde na loteria, quem apostou.
Da mesma forma, só ganha, também quem apostou. Quando você faz alguma coisa... Corre-se o risco de acertar. Sem medo de errar, afinal só erra quem tenta.
Todo o resto é um delírio das coisas que não existem e não vão existir. Coisa que existem no mundo do "se"... Se tivesse feito, se tivesse lutado, se tivesse estudado, se tivesse dito, se...
Mas vale perceber que, diferentemente da loteria, as coisas boas pelas quais lutamos nesta vida, dão uma grata satisfação, sem medida, sem preço, o que torna irrelevante se mais à frente iremos ganhar ou perder. Ajudar alguém, fazer parte de um tijolo transformador da qualidade da vida humana, já nos torna um ganhador entre milhões que não irão fazer nada. São pessoas presas em sua simples incapacidade de amar qualquer outra pessoa a não ser a si mesma.
Ao contrário, nosso ganho, que já é único em milhões de seres humanos na face deste imenso planeta, fará com que a nossa vida seja um pouco melhor.
Como veremos em diversos filmes e temáticas: "a viagem terá sido mais importante que o destino". Não importa o prêmio que tentamos alcançar, mas os "três reais e cinquenta centavos" que apostamos, os quais, com certeza, nos deixou muito mais ricos.

sexta-feira, 29 de maio de 2015

A maturidade - II

De tantas coisas boas que aconteceram, de tantos bons momentos que vivi, de todos os incomparáveis encontros que tive, de todas as visitas, viagens que fiz, foram tantos bombardeios de conhecimento, tanta informação, tanta memória...
No entanto, nem tudo a minha filmadora capturou, meu gravador nem liguei. Quase nada a minha câmera fotografou. A minha memória não guardou quase nada. E outros tantos infindáveis minutos ainda irei esquecer.

Mas alguma coisa sempre fica. E na verdade, nem sei com quais mecanismos nosso pensamento funciona, como escolhe o que fica ou porque fica...
Eu tenho boas lembranças e a maturidade deve ser próxima disso: é a capacidade de direcionar as sobras para tudo que valeu a pena ser vivido.
A maturidade nos retira do infeliz caminho da busca da felicidade e nos torna capaz de entender o valor dos bons momentos.
Mais que isso, torna o ser humano capaz de ser produtivo e seletivo...

Produtivo, porque começa a entender que os bons momentos podem ser captados ao acaso, contudo é preciso estar com a nossa câmera sempre pronta, com bateria carregada, com espaço de memória suficiente e, é claro, preparada para fotografar rapidamente tudo que queremos. E ser produtivo é fazer justamente isso, "fazer pose". Criar situações, comemorar aniversários, confraternizar, assistir a espetáculos, fazer festividades à toa, viajar... É procurar o lado belo e positivo de tudo... Fotografe-os...

Seletivo, porque não devemos fotografar nada que seja negativo, que seja feio, que seja indesejável. Guarde apenas o fato e o aprendizado. Depois disso, é necessário esquecê-los, evitá-los... Não pagar mais que o seu real valor. E por fim, compreender que nem todos os dias serão de sol, compreender e respeitar o espaço da tempestade e paciência para esperá-la passar. Entender que nada nesta vida é duradouro. E as coisas boas, enquanto durar, abrace, beije e viva intensamente...

Maturidade é a capacidade de fazer-se feliz.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Não perder a oportunidade de mudar.

O ritmo frenético e avassalador que carrego, com a TV, internet, e-mails e tantos outros veículos bombardeando informação, trabalho, trânsito, consultas médicas, contratos, metas, negócios, tudo muitas vezes inúteis, e uma necessidade constante de estar ocupado, quando não preciso estar fazendo nada, tira de mim o que tenho de melhor, que são as minhas reflexões.
Existe uma pessoa que se educa, que aprende, que se desenvolve, que evolui e só assim se transforma em uma pessoa melhor nos momentos de reflexão, de introspecção, de elaboração. As ideias, as informações, os acontecimentos precisam ser adequadamente digeridos para melhor entender o que está acontecendo. Nem todos conseguem fazer isso em meio ao caos, ao problema, aos incêndios. Algumas pessoas precisam de um pequeno instante de parada para olhar em volta, perceber o que acontece, identificar em que lugar está, o que precisa necessariamente ser feito e, então, tomar a decisão menos comprometedora. 
É claro, que isso nem sempre é possível. Em grande parte da vida, um segundo pode representar a diferença entre a vida e a morte. Mesmo assim, as decisões tomadas por instinto de boa qualidade exigem de nós uma experiência anterior, aquela que é obtida naquelas vezes em que a resposta não precisaria ser tão impensada, precipitada ou enérgica. Em alguns momentos é preciso contar até dez ou até quanto for necessário.
Viver não é somente um ato de amor, mas também um ato de inteligência. São exercícios conscientes constantes, em que cada experiência deve se transformar em um novo aprendizado.
Mesmo aquelas repetitivas, precisam ser vividas ao menos com a mudança do ponto de vista, colocar um novo ponto de fuga dentro da velha perspectiva.
Não é o fato do sol nascer igualmente todos os dias para que isso o torne repetitivo. O horizonte precisa ser diferente. E o que irá modificá-lo é exatamente a experiência trazida ao nosso olhar. A forma como observamos a mesma coisa. E dessa maneira, fazer dessa outra maneira a concretização, por exemplo, da velha frase (no meu caso): "conquistar todos os dias a mesma mulher..." e sempre fazer disso um novo acontecimento.
A verdade é que passamos a maior parte do tempo apenas olhando, sem acrescentar uma visão crítica, deixando o mundo acontecer por si só.
É preciso sempre acrescentar sabedoria às nossas decisões e avaliar o que devemos aceitar e tudo que podemos mudar. A melhor hora de modificar. A melhor maneira de fazê-lo.
"Coisas boas estão por acontecer... Basta lutar um pouco por elas."