terça-feira, 31 de julho de 2012

O que o casamento não é... Primeiro ponto de vista

Canso de ver casais em que um dos companheiros ou mesmo ambos, independente de ser homem ou mulher, quando solteiros parecem ser mais amigos e mais compreensivos. Porém, depois que passam a conviver sob o mesmo teto parecem querer assumir o papel de guardião da educação e das boas maneiras. Parecem incorporar a missão de pai ou mãe do outro. Casamento não é isso...

Existem outros casos em que o cônjuge parece querer competir com o outro. Então, tudo passa a ser objeto de discórdia, de cobrança e de submissão. Casamento não é isso também...

As pessoas mudam com o tempo e normalmente procuram melhorar. E muitas pessoas podem nos auxiliar ou mesmo conduzir-nos nesse crescimento. O problema é a maneira como as pessoas fazem isso. Alguns se comportam como verdadeiros educadores, outros, no entanto, são repressores. A verdade é que em vez de termos um cúmplice, passamos a dormir junto com um tribunal da inquisição, a julgar nossos atos todos os dias, todas vezes, em todas as decisões. A vida passa a não ter sentido, pois não queremos mais nos expor para não errar. É então que o casamento deixa de ser casamento e passa a ser uma convivência solitária. Não há diálogo, pois tudo que disser pode ser usado contra você. Não existem mais caminhadas, pois se chover, terá sido uma escolha inadequada. Se fizer sol, alguém foi culpado pelas queimaduras.

Quando tristes ou decepcionados, desabafamos, muitas vezes, não porque precisamos de conselhos. Nesses momentos, queremos apenas ser ouvidos e compreendidos. Quem nos ouve precisa saber diferenciar uma possível falta de empenho ou mesmo negligência nas decisões tomadas de uma atitude que foi a melhor das intenções, de uma escolha que foi a menos dolorosa, menos amarga. Afinal, nem sempre somos agraciados com vitórias. A vida não é assim. Não importa se você faria melhor. Seja empático e entenda o que o outro sente.
Parece difícil, mas casar-se é aprender distinguir a hora certa para um puxão de orelha do instante de um abraço. Isso é saber amar na medida necessária. Pois apesar de um abraço não ter limites, um puxão de orelha precisa ser apenas suficiente na força e no tempo. E não esquecer a vida é feita de bons momentos que podemos proporcionar ao outro e não de cobranças.
Lembre-se que o tempo dos nossos pais se acabaram. Ninguém se casa com um novo pai ou com uma nova mãe. Casamento não é adoção. Ninguém veio continuar o lar anterior e sim, formar uma nova família. Agora, isso não quer dizer que no instante que saímos de casa já estamos completos e  terminados para a vida. Ao contrário, iremos descobrir que o aprendizado jamais termina, pelo menos para quem tem consciência desse fato: o desenvolvimento pessoal só termina com a morte.

Não se esqueça que ninguém veio para ser melhor que o outro, apenas queremos crescer juntos e desenvolver o mundo à nossa volta; educar nossos filhos e todos que fazem parte do nosso círculo de amizades, aprendendo e ensinando todos os dias.
No casamento, ser um só corpo e um só espírito é buscar o conhecimento de quem é o outro, melhor compreendê-lo e fazer dele alguém que ele precisa ser. E que nesse mergulho na personalidade do outro nós possamos auxiliá-lo a realizar esse ideal de pessoa, para que se ajuste ao que ele quer ser.

Amar é aceitar o outro como ele é. Amar é querer ser uma pessoa cada vez melhor, sem deixarmos de ser nós mesmos.
Amar é tornar-se a melhor pessoa para o outro, sem deixarmos de ser nós mesmos.
Enfim, "amai-vos uns aos outros como a TI mesmo".

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