domingo, 5 de agosto de 2012

Viver da melhor forma possível...


"A maior homenagem que se pode fazer a alguém que morreu é voltar a viver da melhor forma possível..." Lya Luft 2011.

Concordo! E o que proporciona  essa capacidade é justamente "viver da melhor forma possível" ao lado de quem em vida compartilha os derradeiros instantes de sua existência...
Ninguém carrega cartão de embarque, com data e hora marcada. Por isso, não espere para descobrir qual é o instante adequado. Lembre-se: na vida, tal qual no tênis, a bola mais importante é aquela que começa no saque.
Basta o abraço perfeito, a atenção oportuna e a compreensão necessária para proporcionar em nós a sensação de ser alguém especial. É incrível, mas o que se prega é justamente o simples bem de ser sincero. A sinceridade dos nossos atos diferenciam o mercenário de alguém que luta pelo que é seu. Assim, a vida nos mostra o que importa no mundo de verdades e mentiras com as quais lidamos todos os dias, sempre na emblemática luta de separar o joio do trigo, ou seja, quem vale a pena de quem será apenas um mero conhecido.
O casamento não se prende a papéis, não se engana com compromissos verbais, não se ampara na legalidade, nem mesmo em partilhar um espaço físico comum. Casamento é apenas comunhão. E comunhão é partilhar apenas uma coisa: a presença.
Cada um é capaz de carregar seus próprios compromissos de vida, suas dificuldades, suas doenças e suas limitações. Presença não é sacrifício, nem caridade, A presença permite amenizar justamente as dores das dificuldades, das doenças, das limitações e proporciona crescimento pessoal. É na presença que partilhamos vitórias, conquistas, confidencias e cumplicidades. Retira o sentimento de solidão e oferece a sensação de felicidade. É a presença que proporciona momentos e lembranças felizes.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O que o casamento não é... Segundo ponto de vista

Quando estudamos Direito Constitucional aprendemos que algumas normas, em vez de configurarem um direito, são na verdade objetivos. Esses tipos de normas denominam-se programáticas. Caracterizam-se por ser um dever, uma obrigação futura do Estado, enfim, algo a ser alcançado, mas que ainda não existe plenamente.
No casamento, em sua cerimônia, ouve-se em um trecho do conhecido juramento, algo como: "serão um só corpo e um só espírito". É preciso entender que, igualmente nesse caso, trata-se de um objetivo a ser alcançado. Essa promessa é um norteador, um voto de fidelidade, no qual ambos se comprometem a chegar o mais próximo possível dessa visão futuro.
Para mim essa meta é inatingível pela própria natureza humana. Afinal, somos indivíduos, ou seja, indivisíveis e ao mesmo tempo únicos.
Fisicamente, ainda hoje, é impossível fundir dois cérebros em um só. Por isso, é importante ter clareza em como se deve buscar essa unidade. Pois algumas pessoas confundem ser um só com fazer tudo junto. Se você não consegue viver só, se você se acha incompleto e isso o incomoda. Pensa que o casamento pode resolver esse problema... Cuidado! Isso pode ser um indício de que ainda não está preparado para viver ao lado de outra pessoa...
Viver ao lado de outra pessoa é saber que existe o meu tempo, o seu tempo e o nosso tempo. E o respeito que deve existir a cada um desses tempos. Não existe um valor certo para cada um, mas as pessoas despreparadas considerarão algo perto de zero por centro ou algo próximo de cem por centro a distribuição adequada para o tempo a ser dedicado para o nosso tempo. Elas poderão dizer o contrário disso, mas o que importa, na verdade, é como pensa e como irão agir na realidade.
Não existe uma medida certa, mesmo porque isso pode variar todos os dias, bem como em algumas fases da vida. A analogia aqui é entender que precisamos dedicar algumas horas de nossas vidas ao trabalho para sobreviver financeiramente. Por outro lado, compreender que não vivemos para trabalhar. Ao contrário, trabalhamos para viver. Sendo assim, a arte de distribuir o nosso tempo é outro indicador de estar ou não preparado para fazer alguém feliz. Pense assim: não teremos todo o tempo do mundo para estar com nossos futuros filhos, mas é preciso estar nos momentos mais importantes, nos instantes em que ele mais precisar de nós e que nos poucos minutos em que estiverem juntos, que eles sejam produtivos, educadores e, principalmente, proporcionem felicidade. Com o cônjuge deverá acontecer o mesmo também.

Outro engano é achar que ser um só é pensar igual, da mesma forma, sempre e em todo lugar. Isso é outro engano! Ser um só corpo e um só espírito é procurar conciliar as decisões, é desenvolver a capacidade de distribuir tarefas e responsabilidades, é a aplicação dos preceitos de trabalho em equipe. É saber o que é possível e o que é inviável. Inviável aqui, é no sentido de analisar a viabilidade de algum projeto de vida. Se vale o sacrifício. Saber qual o custo-benefício. Não é tornar tudo possível, afinal, tudo tem seu preço, então pondere se ele não será caro demais.

Viver juntos implica em abrir mão de muitos direitos e assumir uma série de deveres. Porém, é preciso ter consciência e certeza de que isso nos faz pessoas melhores e que essas escolhas não acarretam sofrimentos no futuro. É preciso ainda estar certo de que ser essa nova pessoa compartilhada com outra pessoa, faz ambos felizes.
Às vezes, as pessoas pensam que viver juntos é sinônimo de sofrimento. Sofrimento não alimenta amor algum. No entanto, vencer desafios juntos fortalece o espírito e consolida dentro de nós o conceito de união. São situações que aumentam a confiança que temos no outro. Por isso, avalie, por exemplo, a possibilidade de precisar cuidar de seu companheiro ou companheira durante uma grave enfermidade por um longo tempo, talvez a vida inteira. Se ser útil é gratificante. Se você se sente em condições de minimizar a dor do outro, se você se sente capaz de abraçar essa causa na perspectiva de uma vida inteira, isso dá a você grandes chances de ganhar um diploma para a vida a dois. Agora, não basta achar. Algumas pessoas imaginam ser capazes de completar os quarenta e tantos quilômetros de uma maratona sem jamais ter participado sequer de uma caminhada. Muito cuidado ao superestimar sua capacidade. Algumas decisões não tem volta e se assemelham figurativamente a saltar de um penhasco em um lago profundo. Pode-se desistir até antes do salto. Depois disso, não vai adiantar se arrepender...
Se você tem certeza que não vai dar conta do mergulho... É melhor nem saltar. Ou melhor, inscreva se na academia mais próxima e prepare-se.

No casamento nada está pronto, tudo que se refere ao casal ainda está por ser construído. A competência para construí-lo chamamos de vocação. Vocação, porque é necessário preparação para exercê-la e mais, a capacidade de continuar dentro dele até o fim.
Apesar de necessitar de construtores, há dois elementos que precisam estar prontos: as pessoas que irão compor esse casamento. É preciso entender que não se constroem indivíduos dentro do casamento. Esses precisam estar prontos. Dentro do casamento se constrói uma equipe.
Se você acha que seu corpo e mente ainda não estão preparados para as lutas e para a maratona da vida, conselho: não se case. Existe o tempo certo para cada coisa. Não colha o fruto muito verde, que ele não possa madurar depois. Nem enfrente desafios para os quais não esteja preparado. Se você está em estado gestacional para nascer ao casamento... Um parto antes do tempo pode ter as suas complicações e dificuldades de sobrevivência.
Antecipar a hora marcada é falta de assertividade e podem causar sofrimento e insucesso. Pense bem, não só em você, mas pense no sofrimento que poderá causar à pessoa que escolhe você, todas as vezes que você não quer escolhê-la. Nesse momento, você descobrirá que ainda não era hora nem lugar de fazer alguém feliz, logo, será hora e lugar para todos os outros sentimentos. Não deixe que os outros escolham os sentimentos diferentes de felicidade para essas horas. Casamento não é isso!