Já comentei em outro texto sobre o filme A Partida para expor as formas de perdão que são caracterizadas no filme. O perdão, o não perdão e o imperdoável aparecem a todo o instante na história, bem como o arrependimento diante do inevitável e, principalmente, diante do irremediável.O arrependimento diante daquilo que não se pode mais mudar, talvez seja uma das dores mais devastadoras. E uma das formas definitivas retratadas na película é exatamente a morte.
Na morte não há mais diálogo, não há mais oportunidade, não há mais perdão. Tudo ficará da maneira como terminou e ficará para quem vive, não para quem vai. Por isso, é importante, ao assistir, entender a mensagem que é passada e vivê-la, de agora em diante, oportunizando o perdão e incorporá-la nas nossas atitudes para o resto de nossas vidas e com isso maximizar a capacidade de se fazer feliz.
Para mim, a reflexão mais emblemática, não trata exatamente a questão do perdão que concedemos ao outro, mas o perdão que nos permitirá ser feliz. Esse perdão não é aquele que é sinônimo de engano ou ilusão. Trata-se do perdão aceitação, ou seja, você conhece na pessoa a ser perdoada características com as quais não concorda, mas que essas características, que no fundo, no fundo, não ferem em nada os seus verdadeiros valores. São apenas preconceitos, grande parte deles impostos por uma sociedade à qual não precisa prestar contas. É claro, isso não deixa de ser uma avaliação para as coisas que realmente valem a pena. Essa ideia seria semelhante à mãe que perdoa um filho que está na cadeia, pagando por um crime que cometeu e se arrependeu. Seria correto essa mãe não perdoar esse filho? Seria uma vergonha ter um filho que está na cadeia?
Esse preconceito imposto pela sociedade é insignificante diante do amor dessa mãe por seu filho. Seu filho já está pagando pelos seus erros, não deve mais nada à sociedade e por causa do seu arrependimento não mais fere os princípios dessa mãe. O amor é a coisa mais importante nesse momento.
Diante dessa analogia extrema, eu vejo outros fatos muito menos significantes e no entanto um rigor tão grande, que o perdão fica relegado a um segundo plano e, com isso, se condenam e jogam fora os momentos felizes até que se tornem irremediáveis.
É importante, saber avaliar o que realmente importa e viver a felicidade proporcionada pelo perdão, antes que ele se transforme em um arrependimento irremediável...
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