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quarta-feira, 1 de junho de 2011

As Faces do Perdão...

O perdão possui três faces, a primeira é aquela quando eu perdoo alguém; a segunda, quando sou perdoado por alguém; e a terceira é quando eu me perdoo.
Em uma confissão comunitária, Padre Luiz, disse: "Deus perdoa sempre, os Homens algumas vezes, a Natureza jamais". Por essa razão, perdoar apesar de ser algo factível, pode não trazer marca alguma ou pode deixar uma cicatriz ou ainda alguma sequela. Normalmente as sequelas podem impedir o pleno perdão.
No filme "A Partida (Oscar de melhor filme estrangeiro)", temos a oportunidade de ver todas essas citadas faces do perdão, sempre envolvidas em nuances, como as citadas na confissão comunitária, que tornam esse perdão algo ainda mais complexo.
Nesse filme o ator principal, Daigo, é músico de uma orquestra que foi desfeita e por isso troca sua profissão por outra um tanto quanto polêmica. E, no desenrolar da estória, acaba não contando à sua esposa os detalhes do novo trabalho, que, por preconceito, abandona o esposo. Mais tarde, contudo, ele será perdoado por ela.
Em uma outra vertente de sua estória, Daigo é incapaz de perdoar o pai, que o abandonara quando criança. É quando recebe um telegrama no qual é notificado que seu pai, até então em lugar incerto, falecera. Depois de relutar um pouco, é convencido e resolve resgatar o corpo do pai em uma cidade de pescadores. Essa decisão marca o seu perdão ao pai.
E por esse gesto ele descobre que seu pai jamais esquecera o filho que um dia abandonara. Aquele pai, apesar de todo o sofrimento e arrependimento e toda saudade, não foi capaz de se perdoar e negou até a morte todo o amor que poderia ter recebido de seu filho, bem como todo o amor que poderia oferecer a ele, se, é claro, seu filho o perdoasse. Infelizmente, a incapacidade de perdoar os outros, de sermos perdoados pelos outros e ainda de perdoarmos a nós mesmos são as bolas de chumbos que se prendem aos nossos pés e nos deixam estagnados, sem que possamos avançar também no tempo. Retiram de nós a oportunidade de poder crescer e amadurecer.
Existem outros aspectos do perdão que são retratados em diferentes personagens, com os quais Daigo interage durante todo o filme, vislumbrados em seu árduo trabalho.
Eu vejo nessa ficção, tantas coincidências e analogias com o dia a dia, muitas revelações do nosso cotidiano e constato que há tanta oportunidade de amor desperdiçada, por orgulho, preconceito e outros tantos preceitos que nos distanciam das pessoas que amamos e de Deus.
O preciso entender sobre o que vem a ser o perdão, que ele representa a nossa própria libertação e continuidade para uma vida renovada, para que possamos prosseguir futuro a dentro. Dessas três faces, a mais importante é o perdão pessoal, tendo em vista que "Deus perdoa sempre...", os outros podem ou não nos perdoar, mas nós precisamos perdoar sempre, além dos nossos semelhantes, a nós mesmos (principalmente). Um perdoar humano, não precisa ser Divino. Perdoar é simplesmente não julgar, não condenar. Não significa uma nova oportunidade. Afinal, dar uma nova chance nada tem a ver com o perdão. A pessoa a quem perdoamos é que deve dar para si uma segunda chance. Repito, perdoar e segunda chance são coisas diferentes, ou como dizem: você pode perdoar, mas não necessariamente conciliar. Considero que perdoar é quase uma obrigação; conciliar é uma discricionariedade. Para mim, algo que só ocorre de pai para filho. Enfim, espero que você se perdoe e se dê uma segunda chance todas as vezes que errar. Conselho: faça isso e viva mais feliz! O mundo que não o perdoa já é punição mais que suficiente.