sábado, 22 de outubro de 2011

Entre o certo e o errado...

Eu costumo dizer aos meus filhos: se é para errar, então, que cometam pequenos erros. O problema é que normalmente eu avalio os fatos de trás para frente. Como dizem: a experiência é um carro cujos faróis só iluminam para trás. É claro que isso não é totalmente verdade. A experiência tem a sua importância e a sua aplicabilidade. Contudo, não se deve ficar generalizando as coisas irresponsavelmente. Quando eu digo avaliar de trás para frente significa apenas que estou julgando o processo a partir do resultado conhecido. Assim, é muito fácil julgar. Quando resolvemos fazer alguma coisa, quando decidimos por algo, muitas vezes temos dentro de nós apenas uma esperança, uma tênue estimativa do que pode acontecer. Alguém aqui sabe jogar xadrez? Saber qual a melhor jogada é pura intuição, não se vislumbra mais que quatro jogadas à frente. Em alguns momentos de críticas decisões você pode até pensar uns dez lances à frente. Mas se pararmos para pensar em todas as possibilidades ficaremos parados e o relógio do jogo acabará nos derrotando. Grandes jogadores de xadrez sabem as consequências que se escondem em várias situações, em vários lances, mas nāo sabem tudo e quando sabem é porque estudaram ou já vivenciaram aquela situação em seu passado. A vida se comporta de forma similar, ela joga com você. Se você não fizer as coisas certas, ela joga contra você. A vida é um jogo. E viver é um exercício em uma academia de musculaçāo. Quanto mais exercitamos, mais fortes ficaremos, mais preparados estaremos para as dificuldades. A idéia dos pequenos erros é justamente conseguir enfrentar a vida de frente, para que você aprenda a colocá-la ao seu lado, jogando a favor e não o contrário.
Eu não me preocupo quando meus filhos optam por escolherem aquilo que imaginam fazê-los felizes. Não somos capazes de saber se um relacionamento dará certo ou não, mas é preciso tentar entender que ficar só é o risco de quem ama. É entender cada consequência de cada ato. E saber lidar com essas possibilidades. É impossível saber quando ela acontecerá, se é que acontecerá. Mas enquanto se vivencia a sua escolha, que a cada instante, você questione a sua decisão: ela ainda é um acerto? Ainda continuo feliz? Saberei viver se esses momentos forem interrompidos? Se está valendo cada minuto e esses instantes têm a oportunidade de permanecer indefinidamente, viva-os com toda a sua intensidade!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A palavra era prata... O silêncio foi ouro...

Leu uma frase naquela manhã dizendo que a palavra era prata e o silêncio era ouro...
Às vezes desejaria reverter toda a riqueza que carregava em seu silêncio, por algumas gotas de prata que necessitava.
Pensou que em alguns momentos poderia trocar todo aquele ouro por qualquer conjunto de palavras que o fizesse escutar o que não podia mais ouvir... Ou que poderia ainda entoar as frases silenciosas que um dia calou os pensamentos distantes, as vozes inaudíveis, que ensurdeciam a sua vaga lembrança.
Nem ouro, nem prata. Apenas idéias escritas ao vento em busca de qualquer interpretação.

O tempo castigou, deixou a fadiga tomar conta, esperou o amarelar dos retratos e, mesmo assim, não deixou de tecer lentamente toda a sua trama.
Eis que um dia ao espelho reconheceu-se e encontrou-se outra vez consigo mesmo.
Um velho amigo que a muito tempo não via. Um sujeito meio avesso ao trabalho, que gostava de uma roda de violão, que tomava uma cervejinha bem gelada e jogava conversa fora. Às vezes, até competia numa mesa de bilhar. Noutros dias assistia ao cinema, ao teatro e ia também na livraria, para, quem diria, comprar CDs e DVDs que mais pareciam uma intocável coleção. Guardava todos lacrados na prateleira. Tinha, mas não via, nem ouvia, não conhecia. Era um silêncio de ouro daquelas mídias, das histórias contidas nos livros que jamais cumpririam seu destino. O legado era talvez uma herança para a próxima geração...

E as viagens! Enxergava o mundo por detrás das lentes... De vez em quando pegava o álbum de fotografias para relembrar o que não viu. Era um defunto: corpo presente, que nada mais sabia do mundo que velava aquele pedaço de ser inanimado.

Agora sim... O silêncio era ouro, que não valeu de nada. E a prata, tal como as palavras, agora sim, é que nunca mais se manifestariam.
Sim! E o blog? Ah! O blog ficaria ali, até que o tempo também apagasse as derradeiras marcas. Ou ficaria para a próxima geração... Quem sabe deixaria de ser ouro e dela se fizesse uma valiosa prata.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mudanças pessoais...

Às vezes gostaríamos de ser sempre os mesmos, nós e nossos amigos, nossa família. Noutros momentos queremos que nossos filhos cresçam, que as pessoas sejam melhores, que corrijam seus erros.
A verdade é que precisamos de mudanças, porque precisamos evoluir, se desenvolver e ser cada dia melhores. Mas o que vem a ser exatamente mudar? O que é ser melhor?
Imagine duas situações distintas... A primeira, em um grupo de amigos que gostem de tomar uma cerveja, você é o único que prefere um suco de laranja. No entanto, eles estimulam você a mudar a sua preferência... Na segunda, você é o único fumante do seu grupo de amigos e eles querem que você pare de fumar para o seu próprio bem.
Em qualquer uma das situações a proposta é para mudar e, dependendo da ótica de quem analisa, beber cerveja pode ser uma "evolução".
Primeiramente, as mudanças que os outros querem em nós, precisa ser o que eles consideram melhor para nós mesmos e não para eles. Esses amigos que pedem mudanças precisam diferenciar os valores de cada um de nós. Ou seja, existem mudanças que são apenas "materiais" e outras que são "essenciais". É claro que nós somos aquilo que comemos, somos o cigarro que tragamos, somos a cerveja que consumimos, mas não são a nossa essência. Já a nossa amizade, a nossa honestidade, os nossos pensamentos, o nosso caráter, as nossas idéias, o nosso amor fazem parte da nossa essência. Nossos amigos ao desejarem mudanças precisam manter a nossa dignidade e respeitar-nos como somos em nossa essência.
Em segundo lugar, partindo do respeito à nossa essência, nós mesmos precisamos respeitar as nossas essências e não partir para mudar tudo que se considere indesejável.
Alguém tímido ao extremo, que não quer continuar a sê-lo, precisa respeitar o seu tempo, para que a mudança ocorra em etapas, sem traumas e o mais naturalmente possível. Isso, quando tiver certeza que deve mesmo mudar. A verdade é que normalmente nunca estamos contentes com nós mesmos, principalmente fisicamente, que não é essência e pode, teoricamente, ser mudado mais facilmente. Apesar de eu ter uma certa aversão a exageros desse gênero, o que importa para mim é que as pessoas não esqueçam de aprimorar a sua essência, na qual reside a nossa verdadeira beleza, o nosso verdadeiro valor.
Seria tão bom se os outros nos aceitassem como somos de verdade. Por outro lado, deixar de crescer, deixar de ser uma pessoa madura, deixar de se tornar uma pessoa experiente não é bom.
Normalente quando mudamos, tudo sai da zona de conforto. Será que estamos melhores ou piores? Quem vai saber?
Normalmente, o tempo traz essas respostas, mas demora um pouco para censurar nossos erros e premiar nossos acertos. Nem nós, muito menos os outros têm a resposta para tudo. Quando ficamos mais velhos, os nossos olhos ficam com a vista cansada e, ao contrário, o nosso espírito passa a enxergar muito mais longe. Então, quanto já nem nos lembramos das perguntas, atentos às entrelinhas, as respostas começam a aparecer. Eu não diria que é tarde, nem tão pouco diria que erramos indiscriminadamente. Apenas evoluímos alguns degraus e passamos a olhar o mundo sob outra ótica, a partir de um lugar melhor.
Algumas ações podem acelerar esse processo, como por exemplo, dar-se o direito de cometer pequenos erros. Se você tiver senso crítico, então enfrente mais problemas. Não fuja ou delegue para outros o que é seu. Cante em público, faça palestras, tire suas dúvidas com o professor, leia livros, aprenda a trabalhar desde jovem, seja sincero consigo mesmo, olhe nos olhos das pessoas, não esconda elogios... Não tenha medo de amar... Pode parecer estranho, mas alguém já disse que "amar, é o risco de ficar só"...Eu diria que enquanto se é feliz, vale a pena todo o risco, pois isso é a nossa essência. E se houver dor ou lágrima, paradoxalmente, isso nos tornará pessoas melhores.
À tantas pessoas amargas, inconformadas com alguma perda em seus passados, há uma frase de Dumbledore, no filme Harry Potter, na qual ele diz que não importa o que somos ao nascer, mas sim o que fazemos de nossa vida. Cada fase de nossa vida é um constante renascer e recomeçar. Nós somos aquilo que comemos, nós somos aquilo que fazemos de nossas vidas. As mudanças são inevitáveis, afinal o mundo não pára.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Simplicidade...

Sempre busquei no meu dia-a-dia uma fórmula que resolvesse as razões e as conseqüências de minhas opções e concessões... E simplesmente percebo que não escolho, mas, ao contrário, eu é que sou sempre selecionado... A vida me elege e oferece as oportunidades que necessito.
Se vou aproveitá-las ou não isso depende só de mim e da minha capacidade de reconhecê-las... Nada vem em um belo pacote ou com as instruções de uso do lado de fora... É preciso desligar o olhar acostumado... Por isso, às vezes, a vida nos dá uma rasteira... Do chão enxergamos por outra perspectiva... Tudo ainda está por ser construído.
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Mensagem encaminhada aos meus amigos em 15 de junho de 2007, às 00h59min

Curvas da vida...

O mundo não é uma fonte inesgotável de recursos... Nós, também, não.
Quando algo acontece de errado, muitas vezes pode ser um passo maior que a perna.
Noutras é a constatação de que não estamos prontos para o salto que desejamos dar.
O certo é que a ousadia e a determinação nos levam a fortalecer nosso corpo e, principalmente, a nossa alma, a suportar os obstáculos e quem sabe, escolher atalhos instransponíveis e encurtar caminhos, desde que adequadamente preparados e devidamente instrumentalizados.
Por isso, não cabe a ninguém julgar, culpar ou punir as limitações de cada um.
A capacidade do nosso perdão irá permitir olhar nossos erros com a humanidade devida e com a compreensão necessária.
E assim, nossa auto-estima permanece, mesmo que as vitórias sejam poucas.
Nem todas as realizações significam vitórias, mas deveriam ser...
E os erros não deveriam ser exatamente sinônimo de derrota.
A benção do livre-arbítrio nos concede esse poder: fazer dos acontecimentos um aprendizado ou apenas mais uma dor; fazer das adversidades uma oportunidade ou simplesmente mais um desgosto.
Não é o passado que almejamos... E mesmo que assim, fosse... Uma repetição de algo bom que passou, só poderá se repetir no futuro.
Nossos sonhos nos carregam para um destino incerto, que não está às nossas costas, e sim, lá no horizonte, onde tudo poderá ser possível...
"Basta lutar um pouquinho pelas coisas boas que estão por acontecer..."
O futuro é construído no presente...
"Conseguiremos tudo com Cristo... Ele nos dará forças..."
"Se Deus estiver conosco... Quem poderá estar contra?"
"Nada acontece ao acaso..."
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Encaminhei esta mensagem aos meus contatos em 12 de junho de 2007 às 13h23min, que fazia referência a uma apresentação (PowerPoint) com o mesmo título (Curvas da Vida).