Eu costumo dizer aos meus filhos: se é para errar, então, que cometam pequenos erros. O problema é que normalmente eu avalio os fatos de trás para frente. Como dizem: a experiência é um carro cujos faróis só iluminam para trás. É claro que isso não é totalmente verdade. A experiência tem a sua importância e a sua aplicabilidade. Contudo, não se deve ficar generalizando as coisas irresponsavelmente. Quando eu digo avaliar de trás para frente significa apenas que estou julgando o processo a partir do resultado conhecido. Assim, é muito fácil julgar. Quando resolvemos fazer alguma coisa, quando decidimos por algo, muitas vezes temos dentro de nós apenas uma esperança, uma tênue estimativa do que pode acontecer. Alguém aqui sabe jogar xadrez? Saber qual a melhor jogada é pura intuição, não se vislumbra mais que quatro jogadas à frente. Em alguns momentos de críticas decisões você pode até pensar uns dez lances à frente. Mas se pararmos para pensar em todas as possibilidades ficaremos parados e o relógio do jogo acabará nos derrotando. Grandes jogadores de xadrez sabem as consequências que se escondem em várias situações, em vários lances, mas nāo sabem tudo e quando sabem é porque estudaram ou já vivenciaram aquela situação em seu passado. A vida se comporta de forma similar, ela joga com você. Se você não fizer as coisas certas, ela joga contra você. A vida é um jogo. E viver é um exercício em uma academia de musculaçāo. Quanto mais exercitamos, mais fortes ficaremos, mais preparados estaremos para as dificuldades. A idéia dos pequenos erros é justamente conseguir enfrentar a vida de frente, para que você aprenda a colocá-la ao seu lado, jogando a favor e não o contrário.
Eu não me preocupo quando meus filhos optam por escolherem aquilo que imaginam fazê-los felizes. Não somos capazes de saber se um relacionamento dará certo ou não, mas é preciso tentar entender que ficar só é o risco de quem ama. É entender cada consequência de cada ato. E saber lidar com essas possibilidades. É impossível saber quando ela acontecerá, se é que acontecerá. Mas enquanto se vivencia a sua escolha, que a cada instante, você questione a sua decisão: ela ainda é um acerto? Ainda continuo feliz? Saberei viver se esses momentos forem interrompidos? Se está valendo cada minuto e esses instantes têm a oportunidade de permanecer indefinidamente, viva-os com toda a sua intensidade!
Nenhum comentário:
Postar um comentário