É muito complicado dar um tempo para mim mesmo, oferecer-me uma opção de como gastar o meu tempo, fazer-me sentir um pouco livre e até ousar dizer que tenho algumas escolhas...
O tempo passa e rapidamente percebo que muitas vezes armazeno coisas inúteis, como a falta de tempo. E preservo também amigos, mas amigos não são para serem guardados ou preservados, mesmo que seja no coração, apesar de já estarem quase em extinção. Amigos são seres vivos, enquanto são vivos e precisam ser vividos.
Eu posso saber que tenho um jardim, mas se não for lá para contemplar as flores, acho que não tenho nada. Uma vaga lembrança é o máximo que posso me atrever a constatar.
Mas a vida é professora, que costuma oferecer deveres de casa e, por vezes, passa algumas lições práticas, marcantes, inesquecíveis, que são, por fim, um tanto quanto tristes. Aprendo da pior maneira possível, entendo coisas que muitas vezes já são tardes demais. Apesar de saber que esse exemplo será aplicado para o que resta da minha vida, vejo, no entanto, que aquele zero ficará riscado em meu boletim escolar, sem que eu tenha uma nova chance de mudá-lo.
Há alguns dias, ao ligar para um velho amigo meu, descobri que ele falecera, vítima de um infarto fulminante... E, é claro, amigos raramente têm a oportunidade de avisar que estão de partida.
São perdas inestimáveis, mas não porque eles se vão, porque isso deveria ser normal. Anormais são as perdas feitas em vida, faltou mais uma "paella" para ser feita, uma cervejinha para ser bebida em qualquer "happy-hour". Tudo em detrimento da roda-viva, dos trabalhos inadiáveis, dos estudos intermináveis, da manutenção do emprego insubstituível...
É uma pena! Mas, mesmo assim, neste exato instante, é hora de virar a folha e começar uma nova página do diário, na qual a vida nos põe novamente à prova. É preciso, desta vez, acertar mais.
Deito em minha cama, arrumo meu travesseiro e aproveito esses poucos momentos de lucidez, até que a aparente roda-viva da qual me afastei tome conta outra vez da minha vida...
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