O que vou te dizer não é nada inédito, são fragmentos de coisas que escrevo aos meus amigos, como forma de manter uma boa amizade e tentar quem sabe diminuir as distâncias que a vida impõe diante das atitudes importantes e dos verdadeiros valores. A coisa que talvez mais falte para nós é um tempo para nós mesmos. Não é nada físico, mas espiritual. É fazer uma higiene mental, é meditar e elaborar, ter tempo para idéias. É o tempo para trocar idéias...
Outro dia, um amigo aqui do meu setor falou sobre a rede de amigos...
Coisas que devemos fazer para aumentar a nossa rede de relacionamento e também de como mantê-la.
E uma dessas coisas era ligar todos os dias para pelo menos dois amigos.
Dois amigos por dia talvez seja muito pouco, mas no tempo isso pode se tornar infinitamente grande, pelo tanto que gostaríamos de conversar e pelo pouco que o trabalho nos permite ficar ao telefone. Não estou falando ainda de encontrar os amigos pessoalmente.
Na realidade, eu recebo muitos e-mails todos os dias, mas mal tenho tempo de lê-los e poucos vem com uma dedicação especial dos amigos. Eu costumava escrever muito, mas ultimamente, eu me ocupo em coisas que não sei se valem tanto a pena, não tanto quanto dialogar com alguém, porque parece que só se vive se conversamos com nossos amigos, se trocamos idéias, se vemos o sorriso, se percebemos as suas impressões, se alguém nos faz crescer mais um pouco, se alguém nos faz sentir especial. Acho que somos especiais, mas não temos tempo para dizer isso e vivenciar isso.
É preciso ter um tempo para regar as nossas flores, porque senão não teremos nada para oferecer aos nossos amigos. E para isso, às vezes, é melhor que a vida provoque rachaduras do que nos deixar em cacos, sem poder cumprir uma parte da missão que nos cabe. E no tempo que nos resta, mesmo que ainda seja muito, não carrego grandes ambições. Se as rachaduras me permitirem ser um bom pai ou um bom amigo, já terá valido a pena.
Sobre as rachaduras, eu recebi uma mensagem por e-mail com o seguinte conteúdo...
"Uma senhora chinesa já idosa, carregava dois vasos grandes, cada um pendurado na ponta de uma madeira que se apoiava em seus ombros.
Um dos vasos tinha uma rachadura e o outro era perfeito e sempre levava todo o seu conteúdo de água.
No fim do longo percurso o vaso defeituoso chegava sempre com a metade do seu conteúdo.
E foi assim por dois longos anos, a senhora idosa levava para casa um vaso e meio de água.
O vaso perfeito era orgulhoso, pois cumpria sempre a sua obrigação.
O vaso com defeito, ao contrário, envergonhava-se da sua imperfeição; perdia sempre metade do seu conteúdo.
Depois de dois anos, reconhecendo seu defeito, durante um trajeto, falou com a senhora idosa:
- Sinto muito, que por causa do meu defeito, perca metade do meu conteúdo.
A senhora idosa sorriu e disse: - Já reparaste nas flores que estão do teu lado? Enquanto no outro lado, não. Isto porque eu sempre soube que em ti havia uma rachadura, então, plantei sementes do teu lado e a cada dia que fazia esse trajeto, tu regavas as sementes. Por dois anos recolhi estas maravilhosas flores para decorar a nossa mesa. Sem ti e a tua maneira de ser, não seria possível esta beleza para alegrar a nossa casa.
Cada um de nós tem o seu defeito particular...
Mas são as rachaduras e os defeitos que fazem as nossas vidas assim, interessantes e gratificantes.
Devemos aceitar as pessoas como são, procurando ver nelas aquilo que têm de melhor."
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