Esses dias comecei a ter aulas sobre Administração Financeira e Orçamentária, a qual tratou inicialmente da visão histórica de como era o orçamento no Brasil antes de 1964 e o que é feito nos dias de hoje. Ao tentar usar uma visão holística para o fato, e ao contrário, em vez de expandir para o mundo, levei aquelas idéias para o meu cotidiano, para a minha vida.
O orçamento tradicional, como era conhecido antigamente, não tinha planos, nem indicadores. O foco era financeiro e a visão baseada na receita. Já o orçamento-programa adotado e ratificado pela Constituição de 1988 é baseado em planos, com indicadores, no qual o foco é econômico e a visão é baseada nas despesas.
Parece uma série de palavras sem muito sentido, mas não é bem assim. Por exemplo, é certo que precisamos desenvolver nossas ações seguindo um planejamento de curto, médio e longo prazo. O que a maioria das pessoas faz é não dar a atenção devida a essa necessidade, como quem precisa emagrecer e decide que começará sempre na próxima semana, quando, na verdade, jamais irá iniciar. Concordo que viver o o presente é muito mais importante que o dia de amanhã, mas existe uma diferença quando planejamos vivê-lo.
Ir para a academia no dia de hoje para exercitar o seu corpo e ter a consciência de que isso é muito importante, é uma forma de organizar sua vida, se é que podemos chamá-la de planejamento. Outra maneira é ir à academia como parte de um plano de curto prazo que seria aumentar a massa muscular; de médio prazo que seria passar nas provas de aptidão física de algum concurso público; por fim, no longo prazo, ter uma vida mais saudável pela prática de exercícios regulares. Associado a isso, ter um acompanhamento de um preparador físico que estabeleceria um programa de atividades a serem desenvolvidas, com objetivos e metas a serem alcançados. Dessa forma, parar um dia para tomar uma cervejinha seria justificável, pois os indicadores iriam mostrar se estou evoluindo, quanto me falta para chegar no peso ideal e por fim, quanto me custaria parar para esse "happy-hour".
Somente nesse último parágrafo eu vejo que é possível fazer um plano para o futuro sem deixar de viver o presente. O futuro de repente torna-se o dia de hoje e muitas vezes se pensa que podia ter plantado uma semente em algum dia no passado, que a própria natureza iria oferecer a colheita hoje. E pensar que teria sido fácil ter reservado alguns minutinhos para semear em um passado não muito remoto, da mesma forma como penso em semear neste instante. O problema é que para essa hipotética semeadura que não aconteceu, a primeira colheita já está perdida e, se eu desta vez não deixar passar esta oportunidade de lançar as sementes neste meu presente, daqui a algum tempo poderei colher algo a respeito.
Quanto mais cedo eu despertar para o orçamento-programa mais cedo os bons frutos virão.
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