segunda-feira, 1 de abril de 2013
"Não vos preocupeis com o dia de amanhã..."
Roberto Shinyashiki, em seu livro “O Sucesso É Ser Feliz”, conta-nos uma história que tenta explicar o que Jesus quis dizer quando citou as aves do céu e as flores do campo...
“Um homem escorregou à beira de um precipício e ficou pendurado na raiz de uma árvore. Seus gritos de socorro atraíram um enorme urso faminto que, do topo do barranco tentava abocanhar sua cabeça. E também um grupo de onças que, logo abaixo de seus pés, se esforçavam para derrubá-lo. Já sem saber o que fazer, o homem olhou para o lado e viu, ao alcance de sua mão, um pequeno pé de morangos, com a mais linda fruta que ele já vira, brilhando ao sol. Esforçando-se para estender um dos braços, apanhou o morango, trouxe-o para perto do seu rosto, olhou-o com prazer, sentiu seu aroma delicioso e se deslumbrou com suas cores. E, em pensamento, exclamou: ‘Ora, dane-se o urso… Ora, danem-se as onças…’. E comeu o morango prazerosamente, deliciando-se com seu sabor doce e especial”.
Esse trecho me remete a algumas outras frases que já ouvi, como aquela que diz: "o que não tem solução, resolvido está". É claro, que devemos sempre procurar uma saída. Não devemos desistir jamais. E por aí vai uma série de conselhos prontos da sabedoria popular.
Mas, uma coisa que considero importante no mundo moderno é saber administrar a excessiva quantidade de problemas, compromissos, preocupações, agenda lotada e muitas atividades ao mesmo tempo. Tecnicamente, devemos organizar as nossas prioridades com uma ferramenta denominada GUT, que são as iniciais das palavras Gravidade, Urgência e Tendência. De todas as coisas que elegemos para fazer devemos perguntar: "isso é urgente?" ou "isso é importante?" ou ainda "isso poderá tornar-se importante?".
Mesmo com todas essas técnicas, essa capacidade de decidir priorizando o que é urgente e importante, ou o que é urgente, ou ainda o que é importante ou tendência, ainda assim, vamos nos encontrar em algum momento em que todas essas coisas perderão o sentido. Na realidade, devemos tomar mais cuidado e identificar com mais clareza o que realmente é urgente, importante ou tendência em nossas vidas. O mundo irá tentar modificar seus valores, induzirá você a cometer erros irreparáveis e acabará por colocar sentimentos de culpas por decisões que você tomou pensando em seus próprios interesses em detrimento dos interesses do mundo.
O mundo necessita de escravos e você necessita de liberdade. No entanto, ser livre é fazer uma escolha um tanto quanto "irresponsável" com relação ao mundo profissional, diante de algo tão "efêmero" como é o seu mundo pessoal. Certas coisas só mostram sua verdadeira face diante de uma perda irreparável, como quando aquele velho amigo que há muito tempo não vemos e com quem iríamos nos encontrar para jogar conversa fora e sempre adiamos, adiamos, por causa do trabalho, até o dia em que nunca mais ele irá se reunir conosco naquela mesa de bar... O mundo profissional se sobrepôs na sua matriz GUT ao mundo pessoal. Encontrar os amigos não era urgente, talvez não fosse importante, provavelmente nem tendência. Mas você não precisa ficar com remorso ou arrependimento, afinal trocavam mensagens eletrônicas que provavelmente nem de sua própria autoria eram. Ou ainda viam um ao outro, cada um dentro de seu mundo por meio de uma rede social. Para que perder tempo em uma mesa de bar? Afinal a pós-graduação e o relatório e as viagens de sua empresa eram mais importantes. São elas que pagam o seu salário e permitem a sua sobrevivência... Sobrevivência, mas não mais uma vivência em sua plenitude.
E por fim, o mundo moderno diz para você escapar de seus animais ameaçadores, preso a raiz de uma árvore. É preciso sobreviver a todo custo e não devemos perder tempo com o morango que está ali... Não é hora para perder tempo, mesmo que seja a última chance de saborear o morango... É como quando não temos tempo para brincar com nossos filhos, afinal todo o tempo útil precisa ser canalizado para cumprir os compromissos profissionais, é preciso entender que a concorrência não descansa. O mercado está cada vez mais competitivo. Como diriam os ingleses: "tempo é dinheiro". Almoçar em casa para quê? "Fast food" para não perder tempo. "Siesta"? O que é isso mesmo? Vinte minutos de almoço e a família que se dane. Vinte dias por ano de férias parece ser mais do que suficiente para um bom profissional... O mundo profissional permite a você comprar tudo que a família precisa, mesmo que a família possa oferecer tantas outras coisas que não estão nas prateleiras das lojas, coisas que não podem ser compradas, coisas que não tem preço... Coisas que os profissionais verdadeiros precisam aprender a considerar desnecessárias ou sem importância.
Há muitos anos Jesus dizia para não nos preocupar com o dia de amanhã... Havia uma razão para isso: a excessiva preocupação com o amanhã em detrimento do hoje. O dia mais importante é o dia de hoje, o mais importante são as pessoas e não os negócios, as empresas ou interesses comerciais. E você é a pessoa mais importante para mudar todas essas coisas.
Casamento: palavra de honra ou contrato?
Quando ainda era criança, meus avós me educavam para sempre promover acordos por escrito, cuidadosamente lidos, para em seguida serem assinados e, é claro, serem cumpridos. Se possível, deveriam conter ainda testemunhas e reconhecimento em cartório (essa última frase é observação minha).
Contraditoriamente, quando eram recém-chegados ao Brasil (recém-chegados do Japão, um pouco antes da segunda guerra mundial), seus primeiros acordos não necessitavam de um papel escrito, ao contrário, a palavra de alguém (uma promessa verbal) era muito mais valiosa. Porém, a experiência dos primeiros acordos à moda oriental não funcionavam muito bem no mundo ocidental. E isso influenciou toda a educação que passei a receber.
Para continuar o desenvolvimento desse assunto, utilizarei o termo "palavra de honra" como sinônimo de promessa ou compromisso verbal.
Código de honra era algo passado de geração em geração, que se embasava na dignidade. Um respeito a um conjunto de postulados que se disseminavam como tradição entre diferentes povos que se relacionavam pela amizade ou até mesmo pelo conflito. Eram regras comuns usadas em tempos de paz ou de guerra. O respeito a essas regras implícitas nessa forma de relacionamento davam o tom da dignidade de cada membro dessas sociedades.
A covardia era banida, o abuso do poder também. Uma das consequências era que não se matava seu inimigo traiçoeiramente ou em posição de inferioridade; não se matariam crianças e idosos; e outras tantas normas, que ao contrário das leis atuais, não eram escritas para serem cumpridas. O foco era na pessoa e não seria um simples papel que diria algo a seu respeito. A vergonha de uma pessoa estava em sua própria consciência (ou, é claro, que na verdade bastava ninguém saber). Não era necessário que alguém soubesse a não ser ele próprio. Isso chamava-se honra.
Analogamente, para o acordo escrito usarei como sinônimo a palavra "contrato". O contrato tem essa burocracia toda para evitar que os envolvidos deixem de cumprir o que prometeram. A possibilidade de punição pode ser dada em garantia caso não consigam cumprir os compromissos acordados. Formalizam um padrão de qualidade e um valor ao produto a ser recebido ou serviço a ser prestado. O que uma pessoa era estava escrita em um documento assinado e poderia ser tudo o que não estava escrito.
O mundo moderno e as tradições ocidentais prevaleceram sobre essa outra forma de relacionamento, digamos informal. E devo concordar que não seria viável se todos os acordos estivessem atrelados a algo tão volátil quanto a palavra. Hoje às pessoas não interessa mais o que os Homens são, mas o que eles escrevem sobre si mesmos.
Contraditoriamente, quando eram recém-chegados ao Brasil (recém-chegados do Japão, um pouco antes da segunda guerra mundial), seus primeiros acordos não necessitavam de um papel escrito, ao contrário, a palavra de alguém (uma promessa verbal) era muito mais valiosa. Porém, a experiência dos primeiros acordos à moda oriental não funcionavam muito bem no mundo ocidental. E isso influenciou toda a educação que passei a receber.
Para continuar o desenvolvimento desse assunto, utilizarei o termo "palavra de honra" como sinônimo de promessa ou compromisso verbal.
Código de honra era algo passado de geração em geração, que se embasava na dignidade. Um respeito a um conjunto de postulados que se disseminavam como tradição entre diferentes povos que se relacionavam pela amizade ou até mesmo pelo conflito. Eram regras comuns usadas em tempos de paz ou de guerra. O respeito a essas regras implícitas nessa forma de relacionamento davam o tom da dignidade de cada membro dessas sociedades.
A covardia era banida, o abuso do poder também. Uma das consequências era que não se matava seu inimigo traiçoeiramente ou em posição de inferioridade; não se matariam crianças e idosos; e outras tantas normas, que ao contrário das leis atuais, não eram escritas para serem cumpridas. O foco era na pessoa e não seria um simples papel que diria algo a seu respeito. A vergonha de uma pessoa estava em sua própria consciência (ou, é claro, que na verdade bastava ninguém saber). Não era necessário que alguém soubesse a não ser ele próprio. Isso chamava-se honra.
Analogamente, para o acordo escrito usarei como sinônimo a palavra "contrato". O contrato tem essa burocracia toda para evitar que os envolvidos deixem de cumprir o que prometeram. A possibilidade de punição pode ser dada em garantia caso não consigam cumprir os compromissos acordados. Formalizam um padrão de qualidade e um valor ao produto a ser recebido ou serviço a ser prestado. O que uma pessoa era estava escrita em um documento assinado e poderia ser tudo o que não estava escrito.
O mundo moderno e as tradições ocidentais prevaleceram sobre essa outra forma de relacionamento, digamos informal. E devo concordar que não seria viável se todos os acordos estivessem atrelados a algo tão volátil quanto a palavra. Hoje às pessoas não interessa mais o que os Homens são, mas o que eles escrevem sobre si mesmos.
A "palavra de honra" se sucumbe à supremacia do "contrato" e com ela também se enterra um dos valores humanos mais importantes: a confiança. Com certeza os acordos verbais eram formalizados somente entre pessoas de confiança. Isso explica, o sucesso do contrato, que tornava pública a declaração de honra de uma pessoa e permitiu a expansão de acordos entre pessoas desconhecidas que a princípio não haviam ainda formado laços de confiança. É claro, que a evolução social dos contratos é muito maior que essa comparação simplória, mas serve para entendermos uma parte das relações interpessoais.
Para mim o que importa é a questão da confiança nas relações entre pessoas e nem tanto a trajetória comercial entre os povos. Porque justamente na relação de confiança é que iremos encontrar as razões explícitas e implícitas nas relações de amor e de casamento.
O casamento também passou por essa evolução contratual, mas as pessoas envolvidas nessa relação foram na contramão da evolução. Justamente porque as pessoas se acostumaram a tratar a relação como um contrato e acreditam que suas garantias se resumem em um pedaço de papel, quando existem tantas expectativas implícitas e não descritas no contrato...
Apesar da evolução contratual, o casamento é uma instituição antiquada, simplesmente porque não é uma relação digamos "negocial", nem tão pouco possui produtos e serviços de valor. O casamento é uma relação sentimental. Algo antigo, mas que, na verdade, não envelhece e nem sai de moda.
No casamento a confiança deixou de ser um requisito para ser uma garantia contratual, como se pudéssemos trocar por uma indenização em dinheiro algo que não tem preço.
O casamento é um contrato apenas por uma segurança jurídica para proteger a ingenuidade da pessoa que o vê como uma palavra de honra. Porém, as pessoas estão se esquecendo de que ele é mais que um contrato, ele ainda é uma relação de confiança. Existe nele um código de honra implícito, que deveria ser respeitado.
Contudo, esse código de honra possui uma generalidade que é dada pela sociedade, mas é muito mais que uma relação social, é uma relação pessoal e privada. Por isso, vale mais nessa relação as expectativas que cada um leva em relação ao casamento. Discutir o que se espera dele é a base de todo o relacionamento, porque nele as pessoas dedicam importantes alicerces de suas vidas, esperam prosperar nesse projeto de longo prazo. Não levam para ele alguns anos de vida, mas os melhores anos de suas vidas. Enfim, levam para ele projetos de uma vida inteira, muitas vezes com limite ilimitado de crédito e dedicação, sem cobrar qualquer garantia ou interesse contratual.
O casamento é um contrato apenas por uma segurança jurídica para proteger a ingenuidade da pessoa que o vê como uma palavra de honra. Porém, as pessoas estão se esquecendo de que ele é mais que um contrato, ele ainda é uma relação de confiança. Existe nele um código de honra implícito, que deveria ser respeitado.
Contudo, esse código de honra possui uma generalidade que é dada pela sociedade, mas é muito mais que uma relação social, é uma relação pessoal e privada. Por isso, vale mais nessa relação as expectativas que cada um leva em relação ao casamento. Discutir o que se espera dele é a base de todo o relacionamento, porque nele as pessoas dedicam importantes alicerces de suas vidas, esperam prosperar nesse projeto de longo prazo. Não levam para ele alguns anos de vida, mas os melhores anos de suas vidas. Enfim, levam para ele projetos de uma vida inteira, muitas vezes com limite ilimitado de crédito e dedicação, sem cobrar qualquer garantia ou interesse contratual.
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