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segunda-feira, 1 de abril de 2013

Casamento: palavra de honra ou contrato?

Quando ainda era criança, meus avós me educavam para sempre promover acordos por escrito, cuidadosamente lidos, para em seguida serem assinados e, é claro, serem cumpridos. Se possível, deveriam conter ainda testemunhas e reconhecimento em cartório (essa última frase é observação minha).
Contraditoriamente, quando eram recém-chegados ao Brasil (recém-chegados do Japão, um pouco antes da segunda guerra mundial), seus primeiros acordos não necessitavam de um papel escrito, ao contrário, a palavra de alguém (uma promessa verbal) era muito mais valiosa. Porém, a experiência dos primeiros acordos à moda oriental não funcionavam muito bem no mundo ocidental. E isso influenciou toda a educação que passei a receber.
Para continuar o desenvolvimento desse assunto, utilizarei o termo "palavra de honra" como sinônimo de promessa ou compromisso verbal.
Código de honra era algo passado de geração em geração, que se embasava na dignidade. Um respeito a um conjunto de postulados que se disseminavam como tradição entre diferentes povos que se relacionavam pela amizade ou até mesmo pelo conflito. Eram regras comuns usadas em tempos de paz ou de guerra. O respeito a essas regras implícitas nessa forma de relacionamento davam o tom da dignidade de cada membro dessas sociedades.
A covardia era banida, o abuso do poder também. Uma das consequências era que não se matava seu inimigo traiçoeiramente ou em posição de inferioridade; não se matariam crianças e idosos; e outras tantas normas, que ao contrário das leis atuais, não eram escritas para serem cumpridas. O foco era na pessoa e não seria um simples papel que diria algo a seu respeito. A vergonha de uma pessoa estava em sua própria consciência (ou, é claro, que na verdade bastava ninguém saber). Não era necessário que alguém soubesse a não ser ele próprio. Isso chamava-se honra.
Analogamente, para o acordo escrito usarei como sinônimo a palavra "contrato". O contrato tem essa burocracia toda para evitar que os envolvidos deixem de cumprir o que prometeram. A possibilidade de punição pode ser dada em garantia caso não consigam cumprir os compromissos acordados. Formalizam um padrão de qualidade e um valor ao produto a ser recebido ou serviço a ser prestado. O que uma pessoa era estava escrita em um documento assinado e poderia ser tudo o que não estava escrito.

O mundo moderno e as tradições ocidentais prevaleceram sobre essa outra forma de relacionamento, digamos informal. E devo concordar que não seria viável se todos os acordos estivessem atrelados a algo tão volátil quanto a palavra. Hoje às pessoas não interessa mais o que os Homens são, mas o que eles escrevem sobre si mesmos.

A "palavra de honra" se sucumbe à supremacia do "contrato" e com ela também se enterra um dos valores humanos mais importantes: a confiança. Com certeza os acordos verbais eram formalizados somente entre pessoas de confiança. Isso explica, o sucesso do contrato, que tornava pública a declaração de honra de uma pessoa e permitiu a expansão de acordos entre pessoas desconhecidas que a princípio não haviam ainda formado laços de confiança. É claro, que a evolução social dos contratos é muito maior que essa comparação simplória, mas serve para entendermos uma parte das relações interpessoais.
Para mim o que importa é a questão da confiança nas relações entre pessoas e nem tanto a trajetória comercial entre os povos. Porque justamente na relação de confiança é que iremos encontrar as razões explícitas e implícitas nas relações de amor e de casamento.

O casamento também passou por essa evolução contratual, mas as pessoas envolvidas nessa relação foram na contramão da evolução. Justamente porque as pessoas se acostumaram a tratar a relação como um contrato e acreditam que suas garantias se resumem em um pedaço de papel, quando existem tantas expectativas implícitas e não descritas no contrato...
Apesar da evolução contratual, o casamento é uma instituição antiquada, simplesmente porque não é uma relação digamos "negocial", nem tão pouco possui produtos e serviços de valor. O casamento é uma relação sentimental. Algo antigo, mas que, na verdade, não envelhece e nem sai de moda. 
No casamento a confiança deixou de ser um requisito para ser uma garantia contratual, como se pudéssemos trocar por uma indenização em dinheiro algo que não tem preço.
O casamento é um contrato apenas por uma segurança jurídica para proteger a ingenuidade da pessoa que o vê como uma palavra de honra. Porém, as pessoas estão se esquecendo de que ele é mais que um contrato, ele ainda é uma relação de confiança. Existe nele um código de honra implícito, que deveria ser respeitado.
Contudo, esse código de honra possui uma generalidade que é dada pela sociedade, mas é muito mais que uma relação social, é uma relação pessoal e privada. Por isso, vale mais nessa relação as expectativas que cada um leva em relação ao casamento. Discutir o que se espera dele é a base de todo o relacionamento, porque nele as pessoas dedicam importantes alicerces de suas vidas, esperam prosperar nesse projeto de longo prazo. Não levam para ele alguns anos de vida, mas os melhores anos de suas vidas. Enfim, levam para ele projetos de uma vida inteira, muitas vezes com limite ilimitado de crédito e dedicação, sem cobrar qualquer garantia ou interesse contratual.

terça-feira, 5 de julho de 2011

Nossos erros e os nossos acertos.

Não existe uma fórmula para lidarmos com nossos erros.
Sabemos que existem níveis de gravidade: alguns erros não deixam marcas, alguns deixam cicatrizes e outros deixam sequelas nos outros ou em nós mesmos.
Eles podem ser voluntários ou involuntários, podem surgir até quando queremos acertar.
Existem erros que só iremos chamá-los assim, depois de um longo tempo, talvez uma vida inteira, quando descobrirmos que tudo que achávamos ser verdade, era mera ilusão e nos fez seguir por outro caminho, muitas vezes, movido pela nossa fé... A gente acreditava que aquilo fosse certo, fosse verdadeiro, mas tornou-se um ledo engano.
Nessa hora, a análise deve ser clínica: tem cura? É remediável? Se pudermos corrigir, ótimo! Façamos isso, antes que o mal se torne maior. Se não tem mais jeito... Um pedido de perdão, um esclarecimento pode amenizar a situação? Esse é o momento que devemos gastar o máximo de energias para tentar reverter os efeitos desse erro, para que ele provoque os menores danos possíveis, para que se possa minimizar qualquer injustiça, qualquer dor, qualquer desavença. Não é fácil, não é simples, mas é preciso esgotar todas as possibilidades.
Depois de tudo isso feito, devemos eliminar essa tortura de nossa mente. Obtenha paz interior a partir do perdão pessoal. Todos nós erramos, isso é humano. Agora, a partir desse instante, depois de ter esgotado as possibilidades de correção de rota, não importa mais o grau, o nível, a forma do erro ou quem foi atingido, como foi atingido. Agora, é o momento da reflexão... Livre-se da culpa, aconselhe-se, perdoe-se, compreenda-se, veja tudo que fez de errado e aprenda, para que nunca mais isso venha a acontecer novamente.
Muito cuidado ao avaliar-se nessa hora, muitas vezes, as coisas parecem erradas e na realidade está tudo certo, foi feito tudo certo, foi tudo feito da melhor maneira possível. Existem momentos na vida que precisamos escolher entre um dedo ou todo o braço. São momentos difíceis e de dentro do problema não se consegue ter a visão do todo e saber o que é certo ou errado.
Mas enfim, depois do erro, vem a continuidade da vida... Poder prosseguir é a nossa grande oportunidade. A postura é a maneira como vamos nos colocar para a caminhada... Vista um tênis, roupas adequadas, prepare a água para beber. Atitude é o que precisamos para recomeçar essa caminhada. Não adianta sermos capazes, é preciso por em prática.
Tudo isso é possível pela atitude mental. Certa vez fiquei pensando em uma pessoa querida que sofrera um acidente e só pensava no pior. Imaginava que poderia acontecer alguma outra complicação, uma falha médica e ficava com medo. Então, um anjo me aconselhou a fazer justamente o contrário: pense que ela está lutando bravamente e está se curando, cada célula do seu corpo está se regenerando, cada tecido está se refazendo, cada órgão está se recuperando, ela está se curando... A sua atitude mental muda você, a sua feição, o seu bem estar interior. E você pode dizer que isso não muda em nada a pessoa que está, no caso, acidentada. Pode ser... Mas eu ainda acho que a atitude otimista é como uma oração desejando que a pessoa se cure e pode agir nela, sim. É uma energia positiva de você para ela. Da mesma forma, os pensamentos negativos, podem funcionar como uma carga negativa de você para com o outro. Parece muito místico, mas veja bem, não existem somente os cinco sentidos, mas vamos nos prender apenas neles. Você irá concordar comigo que um sorriso seu pode fazer muita diferença nas outras pessoas. Um sorriso faz bem a quem oferece e faz bem a quem recebe. Não tem palavras, não tem contato físico, não existe reação química. Apenas uma transferência de energia e você não vai me dizer que uma atitude positiva não faz bem ao outro. Dessa forma, você subestima seus poderes, digamos mentais!
Pois bem, voltando ao erro, toda essa explanação anterior serve para dizer que não adianta ficar triste ou infeliz diante do seu erro. Ele não melhora, nem piora. O que faz a diferença são as suas atitudes. Atitudes físicas, que te fazem agir para resolver problemas. E atitudes mentais, que fazem você ser uma pessoa melhor ou pior... A escolha é somente sua. Quer um palpite: escolha ser feliz!!!
Viu seu erro? Tentou corrigi-lo? Fez tudo que era possível para consertá-lo? Ótimo!
Viu por que errou? Aprendeu com seu erro? Não irá cometê-lo novamente? Perfeito!!
Agora as atitudes: física e mental. Perdoe-se e prossiga na sua caminhada.
Próximo passo, utilize o avatar do jogador de xadrez. Um jogador de xadrez joga com a peças que ficaram no tabuleiro. Sabe quais são as peças perdidas, mas não fica lamentando a sua ausência. Ao contrário, olha as que estão ainda em jogo e conta com elas. Traça uma nova estratégia, tenta tirar o melhor proveito das características de cada uma para atingir a vitória.
Dizem que um deficiente visual tem um olfato mais apurado. Provavelmente, tem os outros sentidos muito mais desenvolvidos. Isso acontece, não com aqueles que se prendem ao que não conseguem enxergar. Isso acontece com aqueles que valorizam e desenvolvem os sentidos que ainda possuem. Porque é assim que se vive a vida: com o que temos, com o que podemos conquistar...
A chave de tudo isso chama-se atitude. Quer um conselho: escolha ser feliz!!! Não custa nada!!