Contraditoriamente, quando eram recém-chegados ao Brasil (recém-chegados do Japão, um pouco antes da segunda guerra mundial), seus primeiros acordos não necessitavam de um papel escrito, ao contrário, a palavra de alguém (uma promessa verbal) era muito mais valiosa. Porém, a experiência dos primeiros acordos à moda oriental não funcionavam muito bem no mundo ocidental. E isso influenciou toda a educação que passei a receber.
Para continuar o desenvolvimento desse assunto, utilizarei o termo "palavra de honra" como sinônimo de promessa ou compromisso verbal.
Código de honra era algo passado de geração em geração, que se embasava na dignidade. Um respeito a um conjunto de postulados que se disseminavam como tradição entre diferentes povos que se relacionavam pela amizade ou até mesmo pelo conflito. Eram regras comuns usadas em tempos de paz ou de guerra. O respeito a essas regras implícitas nessa forma de relacionamento davam o tom da dignidade de cada membro dessas sociedades.
A covardia era banida, o abuso do poder também. Uma das consequências era que não se matava seu inimigo traiçoeiramente ou em posição de inferioridade; não se matariam crianças e idosos; e outras tantas normas, que ao contrário das leis atuais, não eram escritas para serem cumpridas. O foco era na pessoa e não seria um simples papel que diria algo a seu respeito. A vergonha de uma pessoa estava em sua própria consciência (ou, é claro, que na verdade bastava ninguém saber). Não era necessário que alguém soubesse a não ser ele próprio. Isso chamava-se honra.
Analogamente, para o acordo escrito usarei como sinônimo a palavra "contrato". O contrato tem essa burocracia toda para evitar que os envolvidos deixem de cumprir o que prometeram. A possibilidade de punição pode ser dada em garantia caso não consigam cumprir os compromissos acordados. Formalizam um padrão de qualidade e um valor ao produto a ser recebido ou serviço a ser prestado. O que uma pessoa era estava escrita em um documento assinado e poderia ser tudo o que não estava escrito.
O mundo moderno e as tradições ocidentais prevaleceram sobre essa outra forma de relacionamento, digamos informal. E devo concordar que não seria viável se todos os acordos estivessem atrelados a algo tão volátil quanto a palavra. Hoje às pessoas não interessa mais o que os Homens são, mas o que eles escrevem sobre si mesmos.
A "palavra de honra" se sucumbe à supremacia do "contrato" e com ela também se enterra um dos valores humanos mais importantes: a confiança. Com certeza os acordos verbais eram formalizados somente entre pessoas de confiança. Isso explica, o sucesso do contrato, que tornava pública a declaração de honra de uma pessoa e permitiu a expansão de acordos entre pessoas desconhecidas que a princípio não haviam ainda formado laços de confiança. É claro, que a evolução social dos contratos é muito maior que essa comparação simplória, mas serve para entendermos uma parte das relações interpessoais.
Para mim o que importa é a questão da confiança nas relações entre pessoas e nem tanto a trajetória comercial entre os povos. Porque justamente na relação de confiança é que iremos encontrar as razões explícitas e implícitas nas relações de amor e de casamento.
O casamento também passou por essa evolução contratual, mas as pessoas envolvidas nessa relação foram na contramão da evolução. Justamente porque as pessoas se acostumaram a tratar a relação como um contrato e acreditam que suas garantias se resumem em um pedaço de papel, quando existem tantas expectativas implícitas e não descritas no contrato...
Apesar da evolução contratual, o casamento é uma instituição antiquada, simplesmente porque não é uma relação digamos "negocial", nem tão pouco possui produtos e serviços de valor. O casamento é uma relação sentimental. Algo antigo, mas que, na verdade, não envelhece e nem sai de moda.
No casamento a confiança deixou de ser um requisito para ser uma garantia contratual, como se pudéssemos trocar por uma indenização em dinheiro algo que não tem preço.
O casamento é um contrato apenas por uma segurança jurídica para proteger a ingenuidade da pessoa que o vê como uma palavra de honra. Porém, as pessoas estão se esquecendo de que ele é mais que um contrato, ele ainda é uma relação de confiança. Existe nele um código de honra implícito, que deveria ser respeitado.
Contudo, esse código de honra possui uma generalidade que é dada pela sociedade, mas é muito mais que uma relação social, é uma relação pessoal e privada. Por isso, vale mais nessa relação as expectativas que cada um leva em relação ao casamento. Discutir o que se espera dele é a base de todo o relacionamento, porque nele as pessoas dedicam importantes alicerces de suas vidas, esperam prosperar nesse projeto de longo prazo. Não levam para ele alguns anos de vida, mas os melhores anos de suas vidas. Enfim, levam para ele projetos de uma vida inteira, muitas vezes com limite ilimitado de crédito e dedicação, sem cobrar qualquer garantia ou interesse contratual.
O casamento é um contrato apenas por uma segurança jurídica para proteger a ingenuidade da pessoa que o vê como uma palavra de honra. Porém, as pessoas estão se esquecendo de que ele é mais que um contrato, ele ainda é uma relação de confiança. Existe nele um código de honra implícito, que deveria ser respeitado.
Contudo, esse código de honra possui uma generalidade que é dada pela sociedade, mas é muito mais que uma relação social, é uma relação pessoal e privada. Por isso, vale mais nessa relação as expectativas que cada um leva em relação ao casamento. Discutir o que se espera dele é a base de todo o relacionamento, porque nele as pessoas dedicam importantes alicerces de suas vidas, esperam prosperar nesse projeto de longo prazo. Não levam para ele alguns anos de vida, mas os melhores anos de suas vidas. Enfim, levam para ele projetos de uma vida inteira, muitas vezes com limite ilimitado de crédito e dedicação, sem cobrar qualquer garantia ou interesse contratual.
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