Eu já citei muitas vezes que as nossas atitudes nesta vida assemelham-se às atitudes de um jogador de xadrez.
O mal jogador olha as peças fora do tabuleiro e lamenta-se valorizando o que perdeu até então no confronto.
Eu concordo que algumas peças perdidas seriam fundamentais para um plano vencedor, mas é preciso compreender que as peças enquanto fora do tabuleiro não jogam e não tem valor algum no jogo. Enquanto forem o foco do olhar do jogador não poderão influir na vitória.
As peças capturadas e colocadas para fora pertencem ao passado do jogo. São lances já escritos e não podem ser mudados. A sua ausência, claro, é percebida, mas o jogo se joga com as peças que ainda fazem parte da partida. Na medida em que movimentamos nossas peças sem objetivo, olhando o passado, nenhuma boa jogada será construída. Porque as vitórias são construídas no presente, com olho no futuro e não no passado imutável.
O bom jogador sabe que perdeu peças durante a partida, mas olha para dentro do tabuleiro e vê com quais peças pode contar, avalia qual o melhor lugar para elas. Também analisa as forças e fraquezas das peças adversárias. Procura descobrir qual a melhor estratégia para enfraquecer a posição do inimigo. Como explorar melhor as fraquezas do adversário por meio de um melhor posicionamento harmônico de suas peças no jogo.
Assim como no xadrez, na vida "a felicidade não depende do que nos falta... Mas do bom uso do que temos". Existe um universo de possibilidades de bom uso que podemos dar às peças que temos, mas isso precisa acontecer enquanto ainda podemos fazer boas escolhas. O bom jogador tem consciência das peças que ainda tem e sabe das inúmeras possibilidades de combinações que ainda tem pela frente e procura, ao seguir seu instinto, escolher aquela que acredita ser vencedora. E não há outra forma de saber se foi uma boa escolha a não ser jogando-a. Nessas horas, o menos relevante é saber se a jogada nos levará à vitória. O importante é a maneira como chegamos até essa decisão, em que foco foi colocado o nosso pensamento, quais foram os insumos que alimentaram nossa opção. É como escolher o terreno adequado, selecionar as melhores sementes, preparar a terra, semear e irrigar. Dessa forma, a nossa parte estará feita. Então, sem descuidar das pragas e ervas daninhas (ou, dentro da nossa analogia, dos próximos lances na nossa partida), agora é esperar a hora da colheita...

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