Existem várias mensagens no filme intitulado no Brasil de "O Reencontro", originalmente denominado "The Magic of Belle Isle".
A história relata um escritor que no passado fora bem sucedido e, no entanto, isso parecia residir somente na lembrança das pessoas que haviam apreciado seus livros. A vida desse personagem tirou dele uma carreira de sucesso esportivo, mas sua amada promoveu outra oportunidade ao torná-lo um brilhante escritor. Porém sua esposa veio a falecer e com ela toda a inspiração para escrever também se foi. E, então, seus personagens caíram no abandono...
A mensagem que mais gosto no filme se resume em um verbo: "imaginar".
A fé é um combustível para prosseguir viagem. Poucas vezes, nosso barco em um mar incerto pode à deriva ser levado a um lugar favorável. Na maioria das vezes é preciso erguer as velas, pegar o leme e aproveitar os ventos que a vida oferece para prosseguir viagem e perseverar pelo caminho planejado em nosso mapa mental.
A história apresenta exatamente cada uma dessas coisas. Monte Hildhorn, o escritor interpretado por Morgan Freeman, é levado a passar as férias de verão em uma pequena cidade. Apesar de não perceber desde o início, ele estava no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas. Muitas vezes a vida nos chama e é preciso darmos uma chance a ela para que ela também nos recompense. Várias situações em nossas vidas serão assim: as oportunidades que oferecemos aos outros serão justamente para nós mesmos.
A analogia do filme mostra que o livro da vida não está escrito e não basta deixar que todas as coisas sobre as quais não temos o domínio prevaleçam sobre as poucas coisas que ainda podemos influir. As nossas atitudes precisam ser centradas em lutar por tudo que podemos mudar para melhor e aceitar o que não pode ser mudado. É o que chamo de paradigma do passado/futuro: o passado é imutável, mas podemos mudar muitas coisas no nosso futuro.
Num determinado instante do filme uma jovem pede para que ele (Morgan) ensine-a a escrever histórias. Em uma das lições, ele pede para a menina que fixe seus olhos na estrada. E pergunta o que vê naquela imagem. Ela responde que vê apenas uma estrada vazia. Ele então diz para usar a imaginação. Pede para que diga o que não está lá.
Diante de uma paisagem é preciso contemplá-la em toda a sua riqueza de detalhes. É algo que no dia-a-dia já não fazemos mais. Se perguntarem a respeito das ruas que escolhemos com frequência, constataremos que a maior parte dos detalhes terá passado despercebido. É sinal de que aquele caminho está incorporado à nossa rotina e o tempo vai passar sem percebermos. Quando nos dermos conta, já estaremos em nossas atividades laborais, sem qualquer lembrança de como foi o trajeto de casa até o trabalho.
O "olhar acostumado" retira de nós a capacidade de perceber o que está errado. Tal qual um sapo dentro de uma panela que esquenta lentamente. Nessas horas é preciso mudar a maneira de olhar, mudar o percurso, tirar férias ou até mudar de cidade. É preciso fazer algo diferente, senão a vida vai passar sem ser vivida.
Se é tão difícil perceber o que está lá naquela paisagem, mais difícil é perceber o que não está lá. Essa era a lição mais importante: "imaginar o que não está lá". Isso chama-se "criatividade". É a capacidade produtiva de sonhar ou de imaginar; a primeira centelha do planejar, para em seguida executar o plano. Esse ciclo representa a possibilidade de materializar o que foi imaginado.
É preciso a todo instante escrever a história em nosso livro de páginas em branco. Ser o autor da nossa história e não deixar que todo o Universo fique enchendo-o de coisas vazias que serão esquecidas. Concretize suas ideias, seus pensamentos, sua imaginação. Sonhe para que seja possível escrever tudo que não está na paisagem dos seus olhos.
O futuro ainda não está escrito e as coisas boas estão esperando por você, desde que você construa essas oportunidades. Comece imaginando, depois escreva. Não deixe seu barco atracado ou à deriva. Seja o condutor do seu barco, porque chegará um instante que só você poderá conduzi-lo.

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