terça-feira, 5 de março de 2013

Cultivar o futuro sem destruir as flores do jardim...

As pessoas se modernizaram, mas esqueceram alguns valores importantes... Não posso negar que o progresso trouxe muito conforto e maiores facilidades. Mas a modernidade enterrou também outros valores que eram igualmente importantes. Coisas que o Homem fez questão de considerar incompatíveis com o seu perfil de vanguarda.
Antigamente, ouvir um não, significava que a porta ainda estava aberta; quando se discordava não significava que havia discórdia; e pensar diferente, não significava escolher outro caminho sozinho.
Aliás, o ideal de amar era, não só saber que não estávamos ou não estaríamos a sós na caminhada, mas era ter a fé de que não ficaríamos sós amanhã também... E depois, depois, depois e depois...
Os projetos eram de longo prazo. O mundo era mais lento, as coisas não aconteciam tão rápidas. As tecnologias não eram tão acessíveis, não mudavam todos os dias. 
Hoje todos têm facilidades. O mundo ficou melhor, mais conectado e, no entanto, as pessoas se sentem mais sós e quem não está sozinho perderá sua companhia antes de sua morte... Concordo que antes não era muito diferente, afinal o destino de quem amava era ficar só. Mas havia filhos que cuidavam de seus pais. Não faz muito tempo, não era vergonhoso andar ao lado dos pais. Asilos eram lugares para quem não tinha filhos. 
Os filhos de hoje não podem mais cuidar de seus pais, não querem mais cuidar. Não há mais paciência. Na realidade, nem os pais em sua velhice querem mais conviver com seus próprios filhos ...
No passado, as pessoas tinham valor, mas não eram facilmente compradas. Ninguém precisava assinar um contrato para cumprir algo que prometera. A palavra de honra era mais importante. A corrupção sempre existira, mas a honestidade ainda era um elogio e não o estereótipo do fracasso.
Os mais velhos eram pessoas mais experientes, sábias e seus trabalhos tinham valor. A idade era respeitada pelo que haviam sido ou haviam realizado em toda a sua vida. Velhice não necessariamente invalidez, não precisariam dar lugar aos mais jovens "dinâmicos, fortes e inteligentes".
Quando eu era criança, as pessoas tinham amigos... Poucos amigos, é claro, mas estavam próximos. Não eram apenas um perfil em alguma rede social. Os contatos eram anotações em agendas de papel. Popularidade era importante, mas havia muitas outras formas de ser importante.
As pessoas não tinham endereços virtuais. Era possível fazer uma visita, dar um abraço e tomar um café. E quando distante, costumava-se mandar cartas escritas de próprio punho. 
Não há como negar que nos dias de hoje há mais direitos e as violências são melhor combatidas que antes. Que as pessoas menos favorecidas começam a ser ouvidas. Que todos podem ter melhores oportunidades, contrapondo ao passado não muito distante em que as oportunidades não eram para todos.
Seria tão bom se o futuro fosse construído consertando o que havia de errado sem perder o que já funcionava tão bem...

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