segunda-feira, 24 de outubro de 2011

É preciso saber amar...

Existe uma máxima, hoje muito popular, que dispensa explicações: "Não basta amar... É preciso mostrar que se ama..."
Ultimamente tenho refletido mais sobre um outro foco de atenção, que é a manifestação do amor.
Nestes meus infinitos minutos de existência, parecem tanto tempo e, no entanto, são poucos perto do que necessito aprender e que sem dúvida, hoje mais do que nunca, muito tenho aprendido. Ainda depois de tanto tempo vislumbro que "mostrar que ama" é uma arte... Todos os dias um novo quadro, uma nova escultura, fotografia, poesia ou música. Tanto faz o veículo de expressão, a única constatação é que é preciso criatividade.
Hoje, mais que em em outros tempos, a forma como demonstramos que se ama tem sido colocada em dúvida.
Algumas pessoas prendem, batem, matam em casos extremos (desesperados) de amor. As pessoas não conseguem mais ter uma compreensão adequada do que é verdadeiramente amar.
Há outras formas "menos violentas" do ponto de vista físico que não deixam de ser tão ruins quanto as que citei anteriormente, as quais também em situação extrema deixam marcas, assediam moralmente, enganam, difamam em nome do amor que se tem por alguém.
Existem todos esses enganos de manifestação, para ser um tanto quanto ameno com relação a essas atitudes, pois na verdade, elas se classificam exatamente nos mesmos termos de violência, agressão e desrespeito. Enfim, um distúrbio que impede "as pessoas que amam" de ver a realidade como a maioria das pessoas compreende o que é um convívio social harmonioso.
Agora, retirando as patologias, ainda assim, restam algumas grandes preocupações com as pessoas que não sabem amar adequadamente seus familiares e amigos. São aquelas que não demonstram que amam e quando demonstram, fazem de maneira inconveniente. Falta-lhes a assertividade.
A assertividade é uma virtude necessária não somente em matéria dos relacionamentos familiares, mas em todas as outras áreas de relacionamento social, seja ela profissional, artística, intelectual, qualquer convívio ou interação com o nosso mundo exterior. São coisas simples como educar seus filhos e apenas chamar a sua atenção às coisas erradas e se esquecer  dos elogios, exaltar suas virtudes. Outro exemplo, é a mãe que protege seus filhos das pequenas dificuldades, decidindo tudo por eles, sem que eles possam exercitar sua capacidade de tomar suas próprias decisões. São incontáveis os exemplos de não saber amar, de não saber manifestar o seu amor. Educar sem amor é apenas impor uma disciplina. Superprotegê-los não permitirá que cresçam. E exigir demais pode ser, no mínimo, uma violência e um desrespeito. Lembro que existem violências que não são físicas... Quem pensa que as palavras são frágeis e se perdem no vento, subestima o seu poder.
É importante todos os dias, revermos nossos conceitos sobre a maneira como amamos. "Amai-vos uns aos outros como a ti mesmo". Se não estamos machucando a nós mesmos, não estamos no caminho errado. Se não estamos machucando o outro, também não estamos no caminho errado.
No entanto, para saber o caminho certo, é preciso mais. Não machucar o outro não significa permitir que o outro faça tudo. Mas que ao impedi-lo de fazer, isto faça parte do nosso dever (como é o caso de nossos filhos) e que possamos fazê-lo com respeito, sem tirar-lhe a dignidade.
Precisamos aprender a nos educar para o amor. O verdadeiro amor é uma arte e um exercício a ser praticado todos os instantes de nossas vidas. O amor exige atitude, nem por isso, é para poucos. Porém, poucos serão felizes sem essa atitude necessária. O bom é que a atitude não está relacionada aos anos de estudos que temos, nem ao quanto temos na conta bancária. Uma mãe analfabeta poderá amar seus filhos tanto quanto uma mãe rica e estudada. A atitude não escolhe classes sociais.
O amor é simples atitude...

sábado, 22 de outubro de 2011

Entre o certo e o errado...

Eu costumo dizer aos meus filhos: se é para errar, então, que cometam pequenos erros. O problema é que normalmente eu avalio os fatos de trás para frente. Como dizem: a experiência é um carro cujos faróis só iluminam para trás. É claro que isso não é totalmente verdade. A experiência tem a sua importância e a sua aplicabilidade. Contudo, não se deve ficar generalizando as coisas irresponsavelmente. Quando eu digo avaliar de trás para frente significa apenas que estou julgando o processo a partir do resultado conhecido. Assim, é muito fácil julgar. Quando resolvemos fazer alguma coisa, quando decidimos por algo, muitas vezes temos dentro de nós apenas uma esperança, uma tênue estimativa do que pode acontecer. Alguém aqui sabe jogar xadrez? Saber qual a melhor jogada é pura intuição, não se vislumbra mais que quatro jogadas à frente. Em alguns momentos de críticas decisões você pode até pensar uns dez lances à frente. Mas se pararmos para pensar em todas as possibilidades ficaremos parados e o relógio do jogo acabará nos derrotando. Grandes jogadores de xadrez sabem as consequências que se escondem em várias situações, em vários lances, mas nāo sabem tudo e quando sabem é porque estudaram ou já vivenciaram aquela situação em seu passado. A vida se comporta de forma similar, ela joga com você. Se você não fizer as coisas certas, ela joga contra você. A vida é um jogo. E viver é um exercício em uma academia de musculaçāo. Quanto mais exercitamos, mais fortes ficaremos, mais preparados estaremos para as dificuldades. A idéia dos pequenos erros é justamente conseguir enfrentar a vida de frente, para que você aprenda a colocá-la ao seu lado, jogando a favor e não o contrário.
Eu não me preocupo quando meus filhos optam por escolherem aquilo que imaginam fazê-los felizes. Não somos capazes de saber se um relacionamento dará certo ou não, mas é preciso tentar entender que ficar só é o risco de quem ama. É entender cada consequência de cada ato. E saber lidar com essas possibilidades. É impossível saber quando ela acontecerá, se é que acontecerá. Mas enquanto se vivencia a sua escolha, que a cada instante, você questione a sua decisão: ela ainda é um acerto? Ainda continuo feliz? Saberei viver se esses momentos forem interrompidos? Se está valendo cada minuto e esses instantes têm a oportunidade de permanecer indefinidamente, viva-os com toda a sua intensidade!

terça-feira, 18 de outubro de 2011

A palavra era prata... O silêncio foi ouro...

Leu uma frase naquela manhã dizendo que a palavra era prata e o silêncio era ouro...
Às vezes desejaria reverter toda a riqueza que carregava em seu silêncio, por algumas gotas de prata que necessitava.
Pensou que em alguns momentos poderia trocar todo aquele ouro por qualquer conjunto de palavras que o fizesse escutar o que não podia mais ouvir... Ou que poderia ainda entoar as frases silenciosas que um dia calou os pensamentos distantes, as vozes inaudíveis, que ensurdeciam a sua vaga lembrança.
Nem ouro, nem prata. Apenas idéias escritas ao vento em busca de qualquer interpretação.

O tempo castigou, deixou a fadiga tomar conta, esperou o amarelar dos retratos e, mesmo assim, não deixou de tecer lentamente toda a sua trama.
Eis que um dia ao espelho reconheceu-se e encontrou-se outra vez consigo mesmo.
Um velho amigo que a muito tempo não via. Um sujeito meio avesso ao trabalho, que gostava de uma roda de violão, que tomava uma cervejinha bem gelada e jogava conversa fora. Às vezes, até competia numa mesa de bilhar. Noutros dias assistia ao cinema, ao teatro e ia também na livraria, para, quem diria, comprar CDs e DVDs que mais pareciam uma intocável coleção. Guardava todos lacrados na prateleira. Tinha, mas não via, nem ouvia, não conhecia. Era um silêncio de ouro daquelas mídias, das histórias contidas nos livros que jamais cumpririam seu destino. O legado era talvez uma herança para a próxima geração...

E as viagens! Enxergava o mundo por detrás das lentes... De vez em quando pegava o álbum de fotografias para relembrar o que não viu. Era um defunto: corpo presente, que nada mais sabia do mundo que velava aquele pedaço de ser inanimado.

Agora sim... O silêncio era ouro, que não valeu de nada. E a prata, tal como as palavras, agora sim, é que nunca mais se manifestariam.
Sim! E o blog? Ah! O blog ficaria ali, até que o tempo também apagasse as derradeiras marcas. Ou ficaria para a próxima geração... Quem sabe deixaria de ser ouro e dela se fizesse uma valiosa prata.


terça-feira, 16 de agosto de 2011

Mudanças pessoais...

Às vezes gostaríamos de ser sempre os mesmos, nós e nossos amigos, nossa família. Noutros momentos queremos que nossos filhos cresçam, que as pessoas sejam melhores, que corrijam seus erros.
A verdade é que precisamos de mudanças, porque precisamos evoluir, se desenvolver e ser cada dia melhores. Mas o que vem a ser exatamente mudar? O que é ser melhor?
Imagine duas situações distintas... A primeira, em um grupo de amigos que gostem de tomar uma cerveja, você é o único que prefere um suco de laranja. No entanto, eles estimulam você a mudar a sua preferência... Na segunda, você é o único fumante do seu grupo de amigos e eles querem que você pare de fumar para o seu próprio bem.
Em qualquer uma das situações a proposta é para mudar e, dependendo da ótica de quem analisa, beber cerveja pode ser uma "evolução".
Primeiramente, as mudanças que os outros querem em nós, precisa ser o que eles consideram melhor para nós mesmos e não para eles. Esses amigos que pedem mudanças precisam diferenciar os valores de cada um de nós. Ou seja, existem mudanças que são apenas "materiais" e outras que são "essenciais". É claro que nós somos aquilo que comemos, somos o cigarro que tragamos, somos a cerveja que consumimos, mas não são a nossa essência. Já a nossa amizade, a nossa honestidade, os nossos pensamentos, o nosso caráter, as nossas idéias, o nosso amor fazem parte da nossa essência. Nossos amigos ao desejarem mudanças precisam manter a nossa dignidade e respeitar-nos como somos em nossa essência.
Em segundo lugar, partindo do respeito à nossa essência, nós mesmos precisamos respeitar as nossas essências e não partir para mudar tudo que se considere indesejável.
Alguém tímido ao extremo, que não quer continuar a sê-lo, precisa respeitar o seu tempo, para que a mudança ocorra em etapas, sem traumas e o mais naturalmente possível. Isso, quando tiver certeza que deve mesmo mudar. A verdade é que normalmente nunca estamos contentes com nós mesmos, principalmente fisicamente, que não é essência e pode, teoricamente, ser mudado mais facilmente. Apesar de eu ter uma certa aversão a exageros desse gênero, o que importa para mim é que as pessoas não esqueçam de aprimorar a sua essência, na qual reside a nossa verdadeira beleza, o nosso verdadeiro valor.
Seria tão bom se os outros nos aceitassem como somos de verdade. Por outro lado, deixar de crescer, deixar de ser uma pessoa madura, deixar de se tornar uma pessoa experiente não é bom.
Normalente quando mudamos, tudo sai da zona de conforto. Será que estamos melhores ou piores? Quem vai saber?
Normalmente, o tempo traz essas respostas, mas demora um pouco para censurar nossos erros e premiar nossos acertos. Nem nós, muito menos os outros têm a resposta para tudo. Quando ficamos mais velhos, os nossos olhos ficam com a vista cansada e, ao contrário, o nosso espírito passa a enxergar muito mais longe. Então, quanto já nem nos lembramos das perguntas, atentos às entrelinhas, as respostas começam a aparecer. Eu não diria que é tarde, nem tão pouco diria que erramos indiscriminadamente. Apenas evoluímos alguns degraus e passamos a olhar o mundo sob outra ótica, a partir de um lugar melhor.
Algumas ações podem acelerar esse processo, como por exemplo, dar-se o direito de cometer pequenos erros. Se você tiver senso crítico, então enfrente mais problemas. Não fuja ou delegue para outros o que é seu. Cante em público, faça palestras, tire suas dúvidas com o professor, leia livros, aprenda a trabalhar desde jovem, seja sincero consigo mesmo, olhe nos olhos das pessoas, não esconda elogios... Não tenha medo de amar... Pode parecer estranho, mas alguém já disse que "amar, é o risco de ficar só"...Eu diria que enquanto se é feliz, vale a pena todo o risco, pois isso é a nossa essência. E se houver dor ou lágrima, paradoxalmente, isso nos tornará pessoas melhores.
À tantas pessoas amargas, inconformadas com alguma perda em seus passados, há uma frase de Dumbledore, no filme Harry Potter, na qual ele diz que não importa o que somos ao nascer, mas sim o que fazemos de nossa vida. Cada fase de nossa vida é um constante renascer e recomeçar. Nós somos aquilo que comemos, nós somos aquilo que fazemos de nossas vidas. As mudanças são inevitáveis, afinal o mundo não pára.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Simplicidade...

Sempre busquei no meu dia-a-dia uma fórmula que resolvesse as razões e as conseqüências de minhas opções e concessões... E simplesmente percebo que não escolho, mas, ao contrário, eu é que sou sempre selecionado... A vida me elege e oferece as oportunidades que necessito.
Se vou aproveitá-las ou não isso depende só de mim e da minha capacidade de reconhecê-las... Nada vem em um belo pacote ou com as instruções de uso do lado de fora... É preciso desligar o olhar acostumado... Por isso, às vezes, a vida nos dá uma rasteira... Do chão enxergamos por outra perspectiva... Tudo ainda está por ser construído.
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Mensagem encaminhada aos meus amigos em 15 de junho de 2007, às 00h59min