Eu já citei muitas vezes que as nossas atitudes nesta vida assemelham-se às atitudes de um jogador de xadrez.
O mal jogador olha as peças fora do tabuleiro e lamenta-se valorizando o que perdeu até então no confronto.
Eu concordo que algumas peças perdidas seriam fundamentais para um plano vencedor, mas é preciso compreender que as peças enquanto fora do tabuleiro não jogam e não tem valor algum no jogo. Enquanto forem o foco do olhar do jogador não poderão influir na vitória.
As peças capturadas e colocadas para fora pertencem ao passado do jogo. São lances já escritos e não podem ser mudados. A sua ausência, claro, é percebida, mas o jogo se joga com as peças que ainda fazem parte da partida. Na medida em que movimentamos nossas peças sem objetivo, olhando o passado, nenhuma boa jogada será construída. Porque as vitórias são construídas no presente, com olho no futuro e não no passado imutável.
O bom jogador sabe que perdeu peças durante a partida, mas olha para dentro do tabuleiro e vê com quais peças pode contar, avalia qual o melhor lugar para elas. Também analisa as forças e fraquezas das peças adversárias. Procura descobrir qual a melhor estratégia para enfraquecer a posição do inimigo. Como explorar melhor as fraquezas do adversário por meio de um melhor posicionamento harmônico de suas peças no jogo.
Assim como no xadrez, na vida "a felicidade não depende do que nos falta... Mas do bom uso do que temos". Existe um universo de possibilidades de bom uso que podemos dar às peças que temos, mas isso precisa acontecer enquanto ainda podemos fazer boas escolhas. O bom jogador tem consciência das peças que ainda tem e sabe das inúmeras possibilidades de combinações que ainda tem pela frente e procura, ao seguir seu instinto, escolher aquela que acredita ser vencedora. E não há outra forma de saber se foi uma boa escolha a não ser jogando-a. Nessas horas, o menos relevante é saber se a jogada nos levará à vitória. O importante é a maneira como chegamos até essa decisão, em que foco foi colocado o nosso pensamento, quais foram os insumos que alimentaram nossa opção. É como escolher o terreno adequado, selecionar as melhores sementes, preparar a terra, semear e irrigar. Dessa forma, a nossa parte estará feita. Então, sem descuidar das pragas e ervas daninhas (ou, dentro da nossa analogia, dos próximos lances na nossa partida), agora é esperar a hora da colheita...
terça-feira, 12 de março de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
O Reencontro (The Magic of Belle Isle)
Existem várias mensagens no filme intitulado no Brasil de "O Reencontro", originalmente denominado "The Magic of Belle Isle".
A história relata um escritor que no passado fora bem sucedido e, no entanto, isso parecia residir somente na lembrança das pessoas que haviam apreciado seus livros. A vida desse personagem tirou dele uma carreira de sucesso esportivo, mas sua amada promoveu outra oportunidade ao torná-lo um brilhante escritor. Porém sua esposa veio a falecer e com ela toda a inspiração para escrever também se foi. E, então, seus personagens caíram no abandono...
A mensagem que mais gosto no filme se resume em um verbo: "imaginar".
A fé é um combustível para prosseguir viagem. Poucas vezes, nosso barco em um mar incerto pode à deriva ser levado a um lugar favorável. Na maioria das vezes é preciso erguer as velas, pegar o leme e aproveitar os ventos que a vida oferece para prosseguir viagem e perseverar pelo caminho planejado em nosso mapa mental.
A história apresenta exatamente cada uma dessas coisas. Monte Hildhorn, o escritor interpretado por Morgan Freeman, é levado a passar as férias de verão em uma pequena cidade. Apesar de não perceber desde o início, ele estava no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas. Muitas vezes a vida nos chama e é preciso darmos uma chance a ela para que ela também nos recompense. Várias situações em nossas vidas serão assim: as oportunidades que oferecemos aos outros serão justamente para nós mesmos.
A analogia do filme mostra que o livro da vida não está escrito e não basta deixar que todas as coisas sobre as quais não temos o domínio prevaleçam sobre as poucas coisas que ainda podemos influir. As nossas atitudes precisam ser centradas em lutar por tudo que podemos mudar para melhor e aceitar o que não pode ser mudado. É o que chamo de paradigma do passado/futuro: o passado é imutável, mas podemos mudar muitas coisas no nosso futuro.
Num determinado instante do filme uma jovem pede para que ele (Morgan) ensine-a a escrever histórias. Em uma das lições, ele pede para a menina que fixe seus olhos na estrada. E pergunta o que vê naquela imagem. Ela responde que vê apenas uma estrada vazia. Ele então diz para usar a imaginação. Pede para que diga o que não está lá.
Diante de uma paisagem é preciso contemplá-la em toda a sua riqueza de detalhes. É algo que no dia-a-dia já não fazemos mais. Se perguntarem a respeito das ruas que escolhemos com frequência, constataremos que a maior parte dos detalhes terá passado despercebido. É sinal de que aquele caminho está incorporado à nossa rotina e o tempo vai passar sem percebermos. Quando nos dermos conta, já estaremos em nossas atividades laborais, sem qualquer lembrança de como foi o trajeto de casa até o trabalho.
O "olhar acostumado" retira de nós a capacidade de perceber o que está errado. Tal qual um sapo dentro de uma panela que esquenta lentamente. Nessas horas é preciso mudar a maneira de olhar, mudar o percurso, tirar férias ou até mudar de cidade. É preciso fazer algo diferente, senão a vida vai passar sem ser vivida.
Se é tão difícil perceber o que está lá naquela paisagem, mais difícil é perceber o que não está lá. Essa era a lição mais importante: "imaginar o que não está lá". Isso chama-se "criatividade". É a capacidade produtiva de sonhar ou de imaginar; a primeira centelha do planejar, para em seguida executar o plano. Esse ciclo representa a possibilidade de materializar o que foi imaginado.
É preciso a todo instante escrever a história em nosso livro de páginas em branco. Ser o autor da nossa história e não deixar que todo o Universo fique enchendo-o de coisas vazias que serão esquecidas. Concretize suas ideias, seus pensamentos, sua imaginação. Sonhe para que seja possível escrever tudo que não está na paisagem dos seus olhos.
O futuro ainda não está escrito e as coisas boas estão esperando por você, desde que você construa essas oportunidades. Comece imaginando, depois escreva. Não deixe seu barco atracado ou à deriva. Seja o condutor do seu barco, porque chegará um instante que só você poderá conduzi-lo.
A história relata um escritor que no passado fora bem sucedido e, no entanto, isso parecia residir somente na lembrança das pessoas que haviam apreciado seus livros. A vida desse personagem tirou dele uma carreira de sucesso esportivo, mas sua amada promoveu outra oportunidade ao torná-lo um brilhante escritor. Porém sua esposa veio a falecer e com ela toda a inspiração para escrever também se foi. E, então, seus personagens caíram no abandono...
A mensagem que mais gosto no filme se resume em um verbo: "imaginar".
A fé é um combustível para prosseguir viagem. Poucas vezes, nosso barco em um mar incerto pode à deriva ser levado a um lugar favorável. Na maioria das vezes é preciso erguer as velas, pegar o leme e aproveitar os ventos que a vida oferece para prosseguir viagem e perseverar pelo caminho planejado em nosso mapa mental.
A história apresenta exatamente cada uma dessas coisas. Monte Hildhorn, o escritor interpretado por Morgan Freeman, é levado a passar as férias de verão em uma pequena cidade. Apesar de não perceber desde o início, ele estava no lugar certo, na hora certa e com as pessoas certas. Muitas vezes a vida nos chama e é preciso darmos uma chance a ela para que ela também nos recompense. Várias situações em nossas vidas serão assim: as oportunidades que oferecemos aos outros serão justamente para nós mesmos.
A analogia do filme mostra que o livro da vida não está escrito e não basta deixar que todas as coisas sobre as quais não temos o domínio prevaleçam sobre as poucas coisas que ainda podemos influir. As nossas atitudes precisam ser centradas em lutar por tudo que podemos mudar para melhor e aceitar o que não pode ser mudado. É o que chamo de paradigma do passado/futuro: o passado é imutável, mas podemos mudar muitas coisas no nosso futuro.
Num determinado instante do filme uma jovem pede para que ele (Morgan) ensine-a a escrever histórias. Em uma das lições, ele pede para a menina que fixe seus olhos na estrada. E pergunta o que vê naquela imagem. Ela responde que vê apenas uma estrada vazia. Ele então diz para usar a imaginação. Pede para que diga o que não está lá.
Diante de uma paisagem é preciso contemplá-la em toda a sua riqueza de detalhes. É algo que no dia-a-dia já não fazemos mais. Se perguntarem a respeito das ruas que escolhemos com frequência, constataremos que a maior parte dos detalhes terá passado despercebido. É sinal de que aquele caminho está incorporado à nossa rotina e o tempo vai passar sem percebermos. Quando nos dermos conta, já estaremos em nossas atividades laborais, sem qualquer lembrança de como foi o trajeto de casa até o trabalho.
O "olhar acostumado" retira de nós a capacidade de perceber o que está errado. Tal qual um sapo dentro de uma panela que esquenta lentamente. Nessas horas é preciso mudar a maneira de olhar, mudar o percurso, tirar férias ou até mudar de cidade. É preciso fazer algo diferente, senão a vida vai passar sem ser vivida.
Se é tão difícil perceber o que está lá naquela paisagem, mais difícil é perceber o que não está lá. Essa era a lição mais importante: "imaginar o que não está lá". Isso chama-se "criatividade". É a capacidade produtiva de sonhar ou de imaginar; a primeira centelha do planejar, para em seguida executar o plano. Esse ciclo representa a possibilidade de materializar o que foi imaginado.
É preciso a todo instante escrever a história em nosso livro de páginas em branco. Ser o autor da nossa história e não deixar que todo o Universo fique enchendo-o de coisas vazias que serão esquecidas. Concretize suas ideias, seus pensamentos, sua imaginação. Sonhe para que seja possível escrever tudo que não está na paisagem dos seus olhos.
O futuro ainda não está escrito e as coisas boas estão esperando por você, desde que você construa essas oportunidades. Comece imaginando, depois escreva. Não deixe seu barco atracado ou à deriva. Seja o condutor do seu barco, porque chegará um instante que só você poderá conduzi-lo.
terça-feira, 5 de março de 2013
Cultivar o futuro sem destruir as flores do jardim...
As pessoas se modernizaram, mas esqueceram alguns valores importantes... Não posso negar que o progresso trouxe muito conforto e maiores facilidades. Mas a modernidade enterrou também outros valores que eram igualmente importantes. Coisas que o Homem fez questão de considerar incompatíveis com o seu perfil de vanguarda.
Antigamente, ouvir um não, significava que a porta ainda estava aberta; quando se discordava não significava que havia discórdia; e pensar diferente, não significava escolher outro caminho sozinho.
Aliás, o ideal de amar era, não só saber que não estávamos ou não estaríamos a sós na caminhada, mas era ter a fé de que não ficaríamos sós amanhã também... E depois, depois, depois e depois...
Os projetos eram de longo prazo. O mundo era mais lento, as coisas não aconteciam tão rápidas. As tecnologias não eram tão acessíveis, não mudavam todos os dias.
Hoje todos têm facilidades. O mundo ficou melhor, mais conectado e, no entanto, as pessoas se sentem mais sós e quem não está sozinho perderá sua companhia antes de sua morte... Concordo que antes não era muito diferente, afinal o destino de quem amava era ficar só. Mas havia filhos que cuidavam de seus pais. Não faz muito tempo, não era vergonhoso andar ao lado dos pais. Asilos eram lugares para quem não tinha filhos.
Os filhos de hoje não podem mais cuidar de seus pais, não querem mais cuidar. Não há mais paciência. Na realidade, nem os pais em sua velhice querem mais conviver com seus próprios filhos ...
No passado, as pessoas tinham valor, mas não eram facilmente compradas. Ninguém precisava assinar um contrato para cumprir algo que prometera. A palavra de honra era mais importante. A corrupção sempre existira, mas a honestidade ainda era um elogio e não o estereótipo do fracasso.
Os mais velhos eram pessoas mais experientes, sábias e seus trabalhos tinham valor. A idade era respeitada pelo que haviam sido ou haviam realizado em toda a sua vida. Velhice não necessariamente invalidez, não precisariam dar lugar aos mais jovens "dinâmicos, fortes e inteligentes".
Quando eu era criança, as pessoas tinham amigos... Poucos amigos, é claro, mas estavam próximos. Não eram apenas um perfil em alguma rede social. Os contatos eram anotações em agendas de papel. Popularidade era importante, mas havia muitas outras formas de ser importante.
As pessoas não tinham endereços virtuais. Era possível fazer uma visita, dar um abraço e tomar um café. E quando distante, costumava-se mandar cartas escritas de próprio punho.
Não há como negar que nos dias de hoje há mais direitos e as violências são melhor combatidas que antes. Que as pessoas menos favorecidas começam a ser ouvidas. Que todos podem ter melhores oportunidades, contrapondo ao passado não muito distante em que as oportunidades não eram para todos.
Seria tão bom se o futuro fosse construído consertando o que havia de errado sem perder o que já funcionava tão bem...
Antigamente, ouvir um não, significava que a porta ainda estava aberta; quando se discordava não significava que havia discórdia; e pensar diferente, não significava escolher outro caminho sozinho.
Aliás, o ideal de amar era, não só saber que não estávamos ou não estaríamos a sós na caminhada, mas era ter a fé de que não ficaríamos sós amanhã também... E depois, depois, depois e depois...
Os projetos eram de longo prazo. O mundo era mais lento, as coisas não aconteciam tão rápidas. As tecnologias não eram tão acessíveis, não mudavam todos os dias.
Hoje todos têm facilidades. O mundo ficou melhor, mais conectado e, no entanto, as pessoas se sentem mais sós e quem não está sozinho perderá sua companhia antes de sua morte... Concordo que antes não era muito diferente, afinal o destino de quem amava era ficar só. Mas havia filhos que cuidavam de seus pais. Não faz muito tempo, não era vergonhoso andar ao lado dos pais. Asilos eram lugares para quem não tinha filhos.
Os filhos de hoje não podem mais cuidar de seus pais, não querem mais cuidar. Não há mais paciência. Na realidade, nem os pais em sua velhice querem mais conviver com seus próprios filhos ...
No passado, as pessoas tinham valor, mas não eram facilmente compradas. Ninguém precisava assinar um contrato para cumprir algo que prometera. A palavra de honra era mais importante. A corrupção sempre existira, mas a honestidade ainda era um elogio e não o estereótipo do fracasso.
Os mais velhos eram pessoas mais experientes, sábias e seus trabalhos tinham valor. A idade era respeitada pelo que haviam sido ou haviam realizado em toda a sua vida. Velhice não necessariamente invalidez, não precisariam dar lugar aos mais jovens "dinâmicos, fortes e inteligentes".
Quando eu era criança, as pessoas tinham amigos... Poucos amigos, é claro, mas estavam próximos. Não eram apenas um perfil em alguma rede social. Os contatos eram anotações em agendas de papel. Popularidade era importante, mas havia muitas outras formas de ser importante.
As pessoas não tinham endereços virtuais. Era possível fazer uma visita, dar um abraço e tomar um café. E quando distante, costumava-se mandar cartas escritas de próprio punho.
Não há como negar que nos dias de hoje há mais direitos e as violências são melhor combatidas que antes. Que as pessoas menos favorecidas começam a ser ouvidas. Que todos podem ter melhores oportunidades, contrapondo ao passado não muito distante em que as oportunidades não eram para todos.
Seria tão bom se o futuro fosse construído consertando o que havia de errado sem perder o que já funcionava tão bem...
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