sábado, 22 de julho de 2017

Comportamento - I

Nos anos 80 havia na minha cidade um serviço telefônico denominado "disque-amizade", que antecedia os futuros "chats" na internet. As pessoas discavam para um número telefônico (acho que era 145) e  o serviço colocava-os em uma "sala de bate-papo". À época foi um excelente exercício fonoaudiológico, assim como tempos depois, os "chats" para mim, ao contrário da maioria, seria um local importante para aprimorar minha redação.
O que existe de importante em toda essa história é o fato de, há algumas semanas, eu assinar um plano de celular que tem uma característica peculiar: "ligações ilimitadas para qualquer operadora em qualquer lugar do país".
Com isso, enfim chegou uma promessa dos anos 90: baixo custo das ligações. Diziam que a manutenção da infraestrutura para telefonia móvel seria muito menor que a telefonia fixa, que também à época era analógica.
Enfim, minhas façanhas no 145 terminaram em uma conta exorbitante em um determinado mês. Desde então raramente fazia minhas incursões no mundo da voz.
Hoje, posso falar o tempo que quiser para qualquer lugar do país. Não existe mais a ligação interurbana. Perde o sentido inserir o código da operadora de longa distância.
O celular virou "smartphone". Até serve para telefonar, no entanto, o que mais queremos é ter acesso a internet. Ah! Essa ainda têm uma limitação de uso, uma cota e a maioria não liga mais, deixa um recado no WhatsApp. A gente não houve mais a voz das pessoas ocupadas e os recados nem precisam vir bem escritos. Na verdade, quanto mais resumido, abreviado, melhor.
Troquei minha face por um "smile". Não peço autógrafos, tiro "self".

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