quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Ninguém é dono...

Eu entendo que todos nós temos deveres para fazer todos os dias de nossas vidas.
Entendo também que algumas coisas precisam de alguém para que sejam feitas.
Entendo perfeitamente que se alguém não fizer, vai ficar faltando um pedaço.
Mas tenho toda a convicção de que é preciso criar, inventar, sonhar...
Planejar.

Então, baixar a cabeça todos os dias, não irá torná-los melhores e nem nos transformará em pessoas melhores e mais felizes.
Isso porque viver, antes de ser uma grande missão, é uma grande viagem.
Qualquer pedaço do nosso viver é mais importante que qualquer dever, tarefa ou obrigação.
E viver a vida consiste exatamente em dar equilíbrio aos direitos e deveres.
É preciso ser justo com o nosso corpo e com nosso espírito.

Na vida, precisamos de férias, ainda que nossa natureza seja dinâmica.
Nós precisamos de sono e direito de dormir, ainda que algo só seja criado quando estamos acordados.
Embora tudo ocorra somente quando estamos despertos, conscientes, necessitamos de descanso, de silêncio...
Precisamos olhar um pouco para dentro...
Dentro de nós e dentro dos outros também...

Assim,  temos deveres para com o mundo e hora para os deveres do "eu".
Aquele "eu", que gosta de violão, de música, de sonhos.
Aquele "eu" da elaboração, dos pensamentos, do planejamento, da introspecção, da meditação.
E que tornamos a última pessoa com direitos, que não tem deveres para consigo mesma, que nasceu somente para servir aos outros.

É necessário equilíbrio entre luzes e sombras, entre sol e chuva.
Precisamos de uma justa forma de ser e viver.
Precisamos de harmonia, mas essencialmente de respeito.
Zelo à nossa capacidade de fazer.
Respeito ao nosso tempo, ao direito de não saber, de querer e de entender que nem tudo é da maneira que sonhamos, nem em nós e muito menos nos outros.

Mas ainda assim persistir e seguir em frente.
Submissão às diferenças, porque ninguém é mais ou menos importante por ser capaz de fazer mais.
Afinal ninguém é dono da verdade.
Ninguém deve ocupar o tempo do outro se não foi autorizado.
Muito menos ser dono da vida dos outros.

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