Quando penso em realizações, penso em duas situações: as que efetivamente foram realizadas e as que nunca aconteceram.
Quando avalio realizações, encontro dois tipos: as que deram certo e as que foram feitas erradas.
Quando procuro entender as erradas, eu me defronto com dois problemas: as culposas, aquelas sem intenção de errar ou feitas na melhor das intenções, e as dolosas, feitas de má fé ou que envolvem a pior das intenções.
Quando vejo a Internet, vislumbro exatamente o foco no qual um país deve direcionar sua educação: "capacitar seu povo a fazer boas escolhas".
A Internet, hoje, assim como todos os meios de comunicação, possui todo o tipo de informação: boa, falsa, tendenciosa, imparcial, importante, desnecessária e tantas outras classificações.
Hoje, o valor da informação não se encontra mais nela e sim no ser humano que a utiliza, que sabe usá-la com sabedoria e com responsabilidade. A informação é como a energia nuclear, pode ser útil ou pode se transformar em uma bomba.
A informação é algo tão sensível que, mesmo sendo usada para o bem, pode apresentar efeitos colaterais.
Capacitar pessoas para fazer escolhas é ensiná-las a tomar suas próprias decisões. É fazer com que elas se preocupem com as desigualdades no acesso às informações, aumento da competividade, aumento da produtividade, valorização do trabalho e senso crítico. Um povo esclarecido raramente será manipulado ou enganado e respeitará a democracia. Terá plena consciência de suas responsabilidades e deveres. Dará legitimidade constitucional ao acesso e aos direitos de seus semelhantes.
Na verdade, a responsabilidade crítica fará muito mais que permitir escolher um candidato ou saber em quem votar. Ela fará com que os cidadãos, na paz, saibam conduzir os candidatos eleitos às soluções, que o país precisa para melhorar a qualidade de vida do povo em geral, da maneira mais digna, da forma mais duradoura, na intenção mais abrangente e justa possível.
Quando analiso a Internet como veículo de democracia, percebo que ela não está disponível para todos. Quando está disponível, ainda falta conhecimento aos que tem acesso em saber como utilizá-la com excelência.
Aos que sabem utilizá-la com excelência, ainda falta o discernimento de filtrar as falsas das verdadeiras informações, as boas das más informações, as importantes das que são lixo.
Aos que sabem filtrar ainda pode faltar-lhes a plena capacidade de produzir novos conhecimentos, agregar valor e ser um formador de opinião. Afinal, a este é dado o dom da sabedoria e seu dever é levar a compreensão aos demais, democratizando o conhecimento para a construção de uma sociedade melhor, mais desenvolvida e mais evoluída.
Logo, os níveis de desenvolvimento passam por diversos estágios. Antes de saber educar, é preciso saber como educar, mas como educar é uma ação que já existe e está em constante mudança, pois diversos são os aspectos da educação: abrangência territorial, faixa etária ou de renda, história, família, urbanidade ou ruralidade, etnias, acessibilidade. São tantos aspectos, conforme a diversidade de um povo.
O grau de esclarecimento de um povo reflete a sua educação. A sua educação pode ser medida por suas realizações e, principalmente, pela qualidade das suas realizações. Oriundas do seu senso crítico, da capacidade de escolher, da análise e da compreensão, do acesso às informações, da possibilidade de ler e entender.
Por fim, na possibilidade de ter acesso a um educador. Um educador digno e capaz, satisfeito e convicto de sua missão.
Educar não é tão simples, mas é um bom começo.
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