terça-feira, 18 de setembro de 2007

Escravo de mim...

Todos os dias me defronto com uma série de compromissos inevitáveis e intermináveis decisões sobre processos sem fim...
E nessa loucura que é minha vida, eu encontro certas razões para continuar esse trânsito infindável, por entre essas ruas cheias e movimentadas que aceleram minha vida rumo aos objetivos um tanto quanto distantes do meu, que por sua vez permitem que eu construa um pouco de mim.
E nessa velocidade de sempre, eu continuo aquilo que um dia pensei que chegaria ao fim, mas não é bem assim que as coisas terminam. Na verdade, nem sei quando começaram e acho inconcebível determinar sua extinção.
Os problemas, assim como os bons momentos surgem diante dos morros e ladeiras nos quais estamos presos, sem saber onde começam ou terminam.
Cada esquina é um lugar pelo qual escolhemos caminhar, no qual se olha em ambas as direções e então se atravessa mais um trecho, na persistência de querer modificar a paisagem e quem sabe apreciar um novo jardim escondido na próxima praça ou no próximo parque.
Não faz muita diferença se nesses lugares existem bancos, lagos ou mesmo crianças brincando e velhos jogando damas.
Nessa essência de vida nós precisamos é de um reflexo para poder examinar como estamos enfrentando cada uma dessas "dificuldades".
Parece assombroso, mas nem sempre estamos com a roupa alinhada para uma ocasião tão especial.
Muito menos aquele importante sorriso não está disponível em nossa face.
A nossa bagagem então, parece pesada e desajeitada.
Ah! Esses compromissos inesquecíveis e essas agendas cheias de urgências e inadiáveis decisões e principalmente carentes de providências.
Quem dera eu tivesse um pequeno romance debaixo do braço e um sereno recanto à sombra de uma árvore para poder parar e ler incansavelmente, apreciando e mentalizando cada palavra desses personagens indecifráveis.
Imaginar até adormecer...
Jogar fora todo o tempo que me resta e todos os meus derradeiros suspiros, respirando profundamente e deleitar-me na natureza generosa.
Quem sabe ter a ousadia de ouvir música ou tocar um violão, sem se preocupar com trabalhos e projetos desafiadores, para me dedicar somente a um projeto chamado "minha vida"...
Seria uma forma inigualável de vivenciar algo próximo do que a natureza um dia reservou para um ser humano, sem as atribulações da vida moderna, que nos torna escravos do conhecimento dito necessário, das atitudes impostas indesejáveis, da competitividade sempre desumana, dos deveres ditatoriais e das crenças dogmáticas. Contratos informais draconianos, que de muitas formas nos privam da verdadeira descência de viver.
A modernidade trouxe-nos para o escravo de si mesmo, preso às suas próprias crenças de liberdade pessoal que culminam com o cumprimento de regras que não ditamos, num mundo de oportunidades desiguais, carentes de justiça e decisões sempre tendenciosas.
Hoje faço tudo que quero, pois infelizmente sou escravo de minhas próprias convicções, se é que são minhas...

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