Sempre me despi das palavras que precisasse expressar para demonstrar tudo que sinto.
Foi tanto tempo que restou depois disso que nem precisei desperdiçá-las com convencimento ou injúrias.
Bastava-me a mentira mais conveniente, que deixaria tudo esclarecido, sem precisar revelar as verdades que atordoavam meus sentimentos e assim, dissipar as angústias e dúvidas que por ventura ainda houvesse.
Foi um partir sem deixar marcas ou cicatrizes.
Foi como um parto sem dor, foi um nascimento de tudo o que restou de uma noite qualquer.
As lembranças deixariam suas marcas por envelhecer o meu rosto e deixaria então a minha alma experimentar um pouco da saudade de tudo que aconteceu e tantos sonhos que nunca se realizariam.
Era um pacto que fiz com meu passado, com as minhas esperanças e a minha memória.
Eu precisava de um pouco de esquecimento, ser ignorado ou viver como se nada tivesse acontecido.
Só queria uma boa dose de todas as frases que me hipnotizavam e faziam com que o universo paralelo invadisse e levasse para longe do racional e me carregasse em seu colo.
Era desejável ser criança outra vez, para imaginar que tudo ainda era possível.
E que eu deveria ter sido mais idealista e menos batalhador.
A ilusão seria o ponto chave de todas as etapas que deixei para depois, em favor de uma vida mais serena e tranqüila.
Só pelo simples fato de querer apartar das minhas decisões, as minha preocupações.
No entanto, percebi tardiamente que os monstros existiam e que contos de fadas eram apenas estórias contadas para enfeitar o terror que habitava a minha vida.
Eu acreditava em muitas coisas que não existiam, mas mesmo descobrindo as falsidades deste mundo louco, ainda assim, desenhei aos meus filhos os reinos encantados, que estariam escondidos por detrás da magia, capazes de modificar o destino das pessoas e que, na verdade, viveriam os mesmos sonhos e realidades que um dia respirei.
Nenhum comentário:
Postar um comentário