Às vezes, leio e releio todas as mensagens que troquei e conversas que tenho ao longo de minha existência e então tento entender certas ironias que a vida maldosamente articulou para mim.
Hoje vejo que pessoas são menos que os seus sentimentos.
Sim! Os sentimentos parecem que extrapolam seus próprios donos e tomam conta de minhas ações.
Então, a hora que desperto de tudo o que aconteceu, percebo que aprendi mais um pouco, mas descubro que o aprendizado foi a custa de mais um erro, ou engano, ou falta de assertividade minha.
Bem, seja o que for, em alguns momentos penso que é lamentável, noutros penso que não foi ao acaso.
O que concluo disso tudo é que certos aprendizados são necessários para tornar-me uma pessoa cada vez melhor.
E vejo também que se for pela dor, mais marcado ficará em meu coração e menos riscos correrei de cometer a mesma falha uma próxima vez.
Só me resta a esperança de que nem todas as etapas tenham sido queimadas e nem todas as oportunidades desperdiçadas.
É evidente que isso transcende o meu próprio querer e muito menos independe de desejos.
Na verdade, a peça que a vida nos prega é mais sutil e me coloca diante de um emaranhado de inúmeros sentimentos que estão em jogo.
Como todos nós nos inter-relacionamos com muitas outras pessoas, o que se evidencia é uma grande rede de pessoas que se estabiliza e instabiliza ao longo de diversos encontros e desencontros.
Tenho consciência de que os sentimentos estão acima do meu poder de mudar a história.
O sentimento dos outros pesa muito em minhas decisões e as decisões que podia ter uma dia feito em favor de um caminho melhor já não pode mais ser refeito.
A possibilidade se perdeu em algum momento desse meu passado e dele tudo o mais se sucedeu, abrindo novas frentes de decisões e incontáveis novas esquinas com as quais me defrontei.
Mas, é engraçado como vejo em cada uma delas a poucos quarteirões um rosto conhecido com o qual desejo cruzar o meu caminho, mas esse rosto apenas cruza e segue o seu destino à revelia do meu percurso e não mais se aninha ao meu.
E tal qual a água que se seguro entre as mãos, se esvazia até acabar, não é tão simples desfazer os desdobramentos que a vida constrói todos os dias.
Por fim, não sou tão independentes quanto imaginava que fosse.
O que me resta de todo esse ensinamento é que se o destino tivesse escolhido outro rumo, não teria aprendido nada do que sei. Então, só me resta a esperança de que algum dia em algum lugar do futuro algo esteja reservado de maneira maravilhosa, como quando me preparo para uma grande apresentação. Treino, acordo cedo, estudo, aprimoro, desenvolvo o que ainda não está competitivo, cresço e, porque não, sonho, faço tudo para materializar uma visão de futuro, construo os alicerces. Algum dia, o grande dia vai chegar e vai consertar tudo que foi desfeito, tudo que foi malfeito... Tudo vai ser refeito. O meu sorriso se instalará e as longas conversas serão intermináveis e satisfatórias. O vento irá soprar nas velas do meu barco e a grande viagem terá início... Outra vez. Preparem os mapas, os mantimentos, estamos de partida... Eu voltei, rumo ao desconhecido tão sonhado.
Nenhum comentário:
Postar um comentário