Existem muitas coisas nesta vida que precisariam de mudanças ou de novos arranjos.
Contudo, nem tudo é passível de ajustes.
Tudo parece um processo de mutação, que não deixa marcas evidentes ao longo do tempo.
Por isso, é preciso fotografar para comparar o que envelheceu e o que rejuveneceu.
Na roda-viva muita coisa passa e é esquecida.
Se contrabalançarmos o que as evidências deixam no nosso dia-a-dia, parece que falta sempre um pedaço da gente, quando ontem havia um inteiro.
Em contrapartida, parece que algo novo sempre se acrescenta ao velho e surrado fardo que carregamos.
Na maioria das vezes é sempre um novo furo no velho tecido sujo e suado.
Passa a ser difícil dividir o tempo em frações maiores de degustação.
Agora é apenas uma questão de sobrevivência.
Os raios da manhã não brilham suas cores renovadas, nem motivam tanto quanto há anos atrás.
Os ânimos encontram-se anestesiados, tal qual as perspectivas que temos para a salvação do mundo e das pessoas.
Um sedativo é necessário todos os dias para que a avalanche de incertezas seja deixada de lado e não perturbe mais meu sono.
Estou no palco sem desejos maiores de público.
Encenar sempre a mesma peça, sem ensaios ou oportunidades de aprimoramentos.
O velho ator está cansado e o escritor de peças parece ter abandonado seus personagens.
A única frase que fica é a que diz: "tudo vai passar..."
Fico observando, então, que para tudo passar... Terei que ficar.
Para o tempo passar, terei que parar.
Para que tudo aconteça, terei que esquecer...
A vida tem seus paradoxos...
Nenhum comentário:
Postar um comentário