Andei em círculos diante da parede invisível que me separava do mundo.
Percebi então que estava preso a uma armadilha que eu mesmo criei e na qual decidi me aprisionar.
Foi aí que lamentei a experiência que não tinha e de somente agora poder enxergar as coisas que já deveria saber.
Vi que estava diante da barreira inquebrável e intransponível, já que a porta estava dentro de mim.
Mas não era justo usar a chave que eu possuía e me libertar - não dependia mais da minha vontade.
Estremeci meus pensamentos ao retornar à realidade e entender que o pesadelo era verdadeiro.
Não havia outra solução senão a de se conformar com tudo que já havia feito.
Não era tarde demais, nem difícil demais, era apenas um preço muito alto para o qual não estava mais disposto a pagar.
Na verdade, certas decisões não tinham preço e pelo visto, nem pressa e muito menos pressão.
Eu me revelei tão certo de tudo e sem nada mais para resolver, estava preso e liberto ao mesmo tempo.
Livre porque acreditava que ainda podia decidir e preso, pois, não queria ou deveria optar pelo que desejava.
Eram dois "quereres" antagônicos e todos com perdas e essa talvez fosse a maior justificativa...
Tanto fazia a escolha, a perda seria a mesma e o sofrimento também.
Então, para que sofrer as angústias de um problema sem solução?
Vasculhei todo o meu passado em busca de respostas e só encontrava certezas e justificativas, agora, sem sentido.
No entanto, as respostas estavam no futuro, ainda que nas atitudes tão presentes.
Estava cheio de incertezas, mas com justos motivos, mesmo não sendo motivadores.
O que me incentivava prosseguir era saber que quando havia um caminho, havia um local de descanso antes de prosseguir.
A viagem nem começou, os mapas ainda nem foram avaliados e o destino não foi escolhido.
Só havia uma coisa certa... a companhia já estava lá, fosse qual fosse o lugar e a hora da partida.
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